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O Dia do Piauí e meu avô


Dia do Piauí

Dia do Piauí Foto: Divulgação

Dias atrás, dando uma organizada em documentos, deparei-me com um livro em que se encontra a lei de 1937 que instituiu 19 de outubro como o Dia do Piauí. Na época, meu avô, João Osório Porfírio da Mota era o secretário-geral do Governo, cargo equivalente no período ao de vice-governador, sendo assim um dos subscritores deste documento legal.

O dia de 19 de outubro de 1822 é o marco inaugural da adesão do Piauí à causa da independência e fazê-lo a data magna do estado certamente é algo devido à atuação de meu avô, parnaibano de nascimento – que no texto da lei de que é signatário propugna a divulgação do evento (a adesão da Câmara de Parnaíba) nas escolas públicas.

Passados 201 anos daquela data de adesão piauiense à independência e quase nove décadas da instituição do dia do Piauí, há que se refletir sobre um ponto: o que aqueles pioneiros em favor de nossa autonomia política imaginaram para adiante de seu tempo, sejam eles os parnaibanos, os oeirenses que tomaram a Casa da Pólvora em 24 de janeiro de 1823 ou os que tombaram em sangue na Batalha do Jenipapo de 13 de março de 1823?

Uma pergunta possível é a de que todos os que se envolveram nos eventos históricos pró-independência o fizeram movidos pela crença em um futuro melhor, mais livre, mais próspero. Seguimos dois séculos depois responsáveis por manter a autonomia política, a liberdade econômica, a possibilidade de que cada um possa livremente buscar sua prosperidade e bem-estar. Eis, pois, nosso desafio futuro: assegurar que haja um Piauí livre e crescido para todos em tempos por virem.

Se fizermos um exercício para desenhar o cenário do Piauí quando os parnaibanos aderiram à causa da independência, veremos que havia pouca gente a saber desse propósito de se criar um espaço de liberdade para progressos econômicos e sociais. Tanto assim é que somente 115 anos após o 19 de outubro de 1822, quando a Câmara de Parnaíba, aderiu à causa da independência, essa se torna a data magna do Piauí.

Até hoje, a despeito de a lei de 1937 determinar que seja esse tema a ser levado para os escolares, ainda não damos a devida importância à data magna – a não ser pela exigência do feriado e por celebrações oficiais. Precisamos fazer mais e refletir sobre o conceito de liberdade nos tempos futuros, que estão para além dos desenlaces com o colonialismo, podendo ser focado em temas como a sustentabilidade, a geração própria de riqueza que faz prosperar os piauienses, dando-lhes uma autonomia econômico-financeira pelo aumento de renda e redução de desigualdades.

A independência política que celebramos tanto será maior quanto mais ampla for nossa economia, nossa capacidade produtiva, a larga ocupação de mão de obra, com maior renda salarial ou gerada pelas iniciativas pessoais.  Esse é um caminho a ser buscado, ensinado e seguido como garantia de que todos possam livremente buscar um lugar ao sol.

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Álvaro Mota

Álvaro Mota

É advogado, procurador do Estado e mestre em Direito pela Universidade Federal de Pernambuco - UFPE. Álvaro também é presidente do Instituto dos Advogados Piauienses.
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