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Nunca é demais lembrar; a memória é um presente de Deus

Hoje, quando olhamos para trás e vemos que houve bravura e desprendimento de homens que perderam suas vidas em sacrifício por liberdade


Batalha do Jenipapo

Batalha do Jenipapo Foto: Estudo Prático

           A memória é um presente que Deus nos deu para que tenhamos a capacidade de melhor avaliar o passado, de modo a aprender com ele, evitando os erros no presente e projetando coisas melhores no futuro.

            Talvez tenham agido movidos mais pela terceira parte da assertiva os homens simples tombados em sangue na Batalha do Jenipapo, em 13 de março de 1823. Possivelmente, sabedores de que o passado de jugo dos portugueses não era o futuro desejado para os que viriam depois deles, fizeram em seu tempo presente um gesto que a posteridade reconheceria como heroísmo.

            Hoje, quando olhamos para trás e vemos que houve bravura e desprendimento de homens que perderam suas vidas em sacrifício por liberdade e autonomia, temos felizmente a exata noção da grandeza deles. É por isso que nunca devemos esquecer dos que tombaram não apenas na Batalha do Jenipapo, mais simbólica pela extensão do sangue derramado. Devemos lembrar e louvar tantos quantos lutaram, perderam parte de sua juventude ou mesmo a vida em favor do futuro de liberdade.

            Hoje, quando a liberdade se configura em matéria-prima essencial na vida dos homens e mulheres do Brasil, convém que lembremos também de dor e sofrimento. Devemos nos pôr no lugar dos que batalharam por liberdade para nosso país, tentar imaginar não somente quão foram grandes, mas também como a dor que lhes foi infringida foi grande, por ser dor física de grande dimensão, atenuada sem dúvida pelo bálsamo da grandeza moral de quem se dispõe ao sacrifício.

            Nessa sexta-feira, 13, a segunda neste ano, em meses subsequentes, poderia ser motivo para invocar superstições populares. No entanto, não se pode falar de azar em um dia de lembrança, efeméride necessária para mantermos viva a memória da necessidade de esforço contínuo na construção de um ambiente de livre circulação de ideias.

            Nunca é demais lembrar que liberdade não é dada, mas conquistada e, uma vez assegurada como ideia em nossas mentalidades, deve ser mantida com trabalho cotidiano e incessante. A Batalha do Jenipapo, marco inaugural do Piauí e do Brasil como entes políticos livres, deve ser mantida viva em nossa memória porque todos os dias temos que lutar para que sigam vivos os ideais daqueles que tombaram em Campo Maior.

 

Álvaro Fernando da Rocha Mota é advogado. Procurador do Estado. Mestre em direito pela UFPE. Ex-presidente da OAB-PI. Presidente do Instituto dos Advogados Piauienses – IAP.

Fonte: Alvaro Mota

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