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E quanto acabar a pandemia?

Vejamos o caso atual, em que todo o mundo – e não apenas uma parte do globo – vive sob o receio de uma doença desconhecida


Cenários

Cenários Foto: Divulgação

Um provérbio português que desde cedo nossos pais nos ensinam diz que não há bem que dure para sempre nem mal que nunca acabe. É uma lição de vida que pode ser traduzida no fato de que ao longo de nossas existências sempre haveremos de nos defrontar com desafios e obstáculos e que vencê-los depende muito dos nossos esforços e disposição para vencê-los ou transpô-los.

Vejamos o caso atual, em que todo o mundo – e não apenas uma parte do globo – vive sob o receio de uma doença desconhecida, que aponta para a incerteza, que subverte uma ordem estabelecida, que vai alteras substancialmente nossas vidas e nossos valores. Podemos dizer que a pandemia do Covid-19, além de uma guerra travada sem que saibamos bem onde está o inimigo, traz consigo também uma revolução, entendida como aquilo que muda substancialmente o mundo, alterando-o a tal ponto que depois do evento citado tudo será diferente.

Então, o exercício que nos cabe por agora é imaginar como vai ser o mundo depois que tudo isso passar. Sabemos que vai mudar, que será diferente, que as drásticas alterações tomadas agora no curso do enfrentamento da doença, poderão servir de base para mudanças ainda maiores em futuro breve e em médio prazo.

Cientistas e estudiosos da sociedade, de tecnologias e de outras áreas já se debruçam sobre as mudanças. Os economistas também já começam a olhar para os cenários futuros.

Ontem, em O Estado de São Paulo, saiu um dos muitos artigos que estão sendo publicados e que podem nos ajudar a compreender as mudanças que se desenham no horizonte sombrio e de incerteza que temos à nossa frente.

O texto assinado por Jhonata Emerick Ramos, dirigente de uma empresa chamada Datarisk e  Felipe Tancredi, cientista-chefe da RadSquare, startup de tecnologia médica, traçam um cenário de uma economia global devastada, com recuperaçã a depender do “grau civilizatório” de cada país – ou seja, aqueles que tiverem menor ou pior educação devem padecer mais

Há que se concordar com a observação e ainda mais com outra mudança: a partir de agora, pessoas e empresas devem estar mais afeitas às compras e aos serviços online, devendo se ter maior registro de aulas à distância, uso de redes sociais como ferramenta de trabalho e de aplicativos de teleconferência para auxiliar no trabalho e na difusão de conhecimentos – por professores, por exemplo.

Se existem coisas boas, como o trabalho em casa como uma possibilidade agora rotineira, o atendimento médico à distância ou diálogos entre estudantes e professores para resolução de problemas e dúvidas, o massivo uso das tecnologias da informação também trazem cenários sombrios: o uso da inteligência artificial poderá ser ferramenta de regimes não democráticos monitoras seus cidadãos a pretexto de lhes proteger a saúde pessoal ou coletiva.

Neste sentido, como advogado, entendo que, passada a pandemia, devamos todos nos voltar para o estabelecimento de marcos legais que possam coibir o estado (e o governo) de, ao usar ferramentas tecnológicas que podem favorecer a saúde coletiva, este caia na tentação de ser invasivo, de romper a fronteira da liberdade individual, de manipular dados etc.

O mundo e o país que sairão da pandemia, como dito, estarão bem mudados. Mas temos que trabalhar para que estejam mudados para melhor.

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