Em uma detalhada análise do cenário político piauiense e nacional, o sociólogo e um dos fundadores do PT no estado, professor Antônio José Medeiros, afirmou que o governador Rafael Fonteles (PT) é o franco favorito para conquistar a reeleição em outubro. A declaração foi dada em entrevista durante visita ao portal Piauí Hoje na última quinta-feira (22).
Medeiros explicou que a dinâmica eleitoral brasileira atual apresenta uma clara distinção. Enquanto o voto para cargos majoritários, como governador e presidente, é cada vez mais uma decisão individual do eleitor, influenciada por campanha, clima político e até fake news –, o voto para o Legislativo (senador, deputados federal e estadual) ainda carrega forte peso das lideranças políticas locais, como prefeitos e vereadores.
“Nesse aspecto, o Rafael é franco favorito, porque tem boa imagem junto à população e não enfrenta, até o momento, um nome forte da oposição”, avaliou o professor. Ele destacou, porém, que Fonteles não negligencia as articulações necessárias: “Ele se preocupa com os compromissos políticos, mantém diálogo com deputados estaduais e prefeitos e firma acordos de cooperação com os municípios. Tudo isso soma. Na minha avaliação, ele tem ampla chance de se reeleger”.
Antônio José Medeiros com o jornalista Luiz Brandão na redação do portal Piauí Hoje Crítica ao clientelismo
Além da análise eleitoral, Medeiros, que prepara seu segundo livro intitulado “A Estrela do PT: Brilhos e Sombras”, refletiu sobre os rumos do partido e os desafios do governo Lula. Ele contestou a ideia, difundida por parte da grande imprensa, de que o Brasil vive um “semi-parlamentarismo”.
“Não se trata de parlamentarismo… O que vemos aqui é a institucionalização do clientelismo”, afirmou. “O Centrão aprendeu a legalizar práticas clientelistas por meio das emendas parlamentares, especialmente do chamado orçamento secreto.”
Segundo o sociólogo, o terceiro governo Lula busca avançar em sua agenda, mas esbarra nos limites impostos por essas dinâmicas no Congresso. “Está ficando claro que o Lula quer avançar mais e o Centrão está amarrando”, analisou.
Medeiros não se declarou contra as emendas individuais em si, mas criticou dois “desvios muito grandes”: o volume desproporcional do recurso – que cresce a taxas muito superiores ao orçamento geral – e a falta de transparência nos contratos. “A emenda já vai [com] o pacote pronto: quem é a empresa que vai fazer? Qual ajuda que ela vai dar?”, questionou.
Para ele, é necessário reduzir o volume dessas emendas para que o governo tenha mais recursos para investimentos e crescimento econômico, além de assegurar total transparência no processo.
Luiz Brandão
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