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Sessão da tarde: A velha Globo e seu filme repetido contra LULA

Por Machado Junior (*)

29 de agosto de 2026 às 19:23 ▪ Atualizado há 1 hora

Ver resumo
  • A sabatina da TV Globo com Lula foi vista como uma reedição de práticas jornalísticas antigas e manipuladoras.
  • A emissora já havia sido criticada em 1989 por editar debates de forma a prejudicar Lula.
  • Durante a entrevista, Lula foi interrompido 32 vezes em 40 minutos, com foco em denúncias e investigações.
  • O formato da sabatina foi acusado de impedir a apresentação das propostas de Lula para o desenvolvimento do país.
  • A abordagem foi vista como um desvio do verdadeiro jornalismo, que deveria buscar equilíbrio e clareza.
  • A crítica destaca o uso da concessão pública pela emissora para favorecer interesses próprios.
  • O texto conclui que mudanças no público demandam abordagens mais imparciais e informativas.

Machado Junior Lula de frente com César Tralli, no estúdio da Globo
Lula de frente com César Tralli, no estúdio da Globo

Quem tem memória política no Brasil assistiu à sabatina da TV Globo com o presidente Lula sentindo um profundo déjà vu. O que vimos na tela não foi jornalismo sério, mas a reedição de uma postura arrogante que conhecemos de longa data. A emissora, que em 1989 operou a vergonhosa edição do debate para prejudicar o presidente Lula e eleger Fernando Collor, parece não ter abandonado seus velhos vícios de manipulação.

O comportamento dos entrevistadores com o presidente Lula cruzou a linha da firmeza e entrou no terreno da pura hostilidade. Os dados não mentem: na entrevista de 40 minutos, o presidente Lula foi interrompido 32 vezes pelos apresentadores. Mais do que o cerceamento da fala, houve um direcionamento implacável para calar o debate propositivo.

Do tempo total, 25 minutos — mais da metade da sabatina — foram gastos exclusivamente em perguntas sobre denúncias, suspeitas e investigações envolvendo aliados e familiares. Com essa estratégia de massacre, os jornalistas impediram que o único candidato com propostas reais e importantes para o desenvolvimento do Brasil pudesse apresentá-las ao público. Mesmo quando o presidente Lula interrompeu a bancada por 11 vezes para tentar pautar os avanços econômicos e sociais de sua gestão, a emissora preferiu manter o bloqueio.

Isso não é jornalismo sério. O jornalismo de verdade exige equilíbrio e busca as respostas, não o sufocamento de projetos de país. Isolar denúncias, omitir o contexto, boicotar a apresentação de propostas cruciais e escolher o tom de voz com base em simpatias ideológicas é usar uma concessão pública como partido político disfarçado.

Assistir a essa postura da emissora do "plim plim" é ver o mesmo roteiro batido ser reprisado tantas vezes que o jornalismo deles acabou virando uma eterna e chata Sessão da Tarde. Uma programação cansativa, perfeita para quem não quer informar ninguém, mas sim manobrar resultados e transformar a televisão em um circo ditatorial onde eles decidem quem pode ou não falar. Só esqueceram de avisar os diretores que o público mudou de canal.

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(*) Machado é jornalista, músico, compositor, poeta e publicitário
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