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Planejamento Estratégico: por que o mercado precisa deste profissional?

Muitas das profissões e muitos dos tomadores de decisão atual foram formados nas décadas de 1980 e 1990


Elton Schneider

Elton Schneider Foto: Divulgação

Quando Albert Humphrey, em 1970, desenvolveu uma técnica para medir os pontos fortes e os pontos fracos, as ameaças e as oportunidades de um negócio, mais conhecida como Análise S.W.O.T. ou em sua versão em língua portuguesa, Análise FOFA, não o fez pensando na formação de um profissional específico para a área de estratégia organizacional. A realização do planejamento estratégico empresarial sempre foi vista como uma atribuição da alta gerência organizacional (diretores, CEOs, CFOs e gerentes), visto que, eles são responsáveis por conduzir a organização rumo a execução de suas missões e visões empresariais.

Para explicar o atual momento dos negócios vamos utilizar uma expressão dos militares americanos, a sigla VUCA para descrever a volatilidade (volatility), a incerteza (uncertainty), a complexidade (complexity) e a ambiguidade (ambiguity) que cercam as decisões empresariais no mundo inteiro.

Muitas das profissões e muitos dos tomadores de decisão atual foram formados nas décadas de 1980 e 1990, ou seja, em condições de transformação dos negócios (volatilidade, incerteza, complexidade, ambiguidade) muito menores do que encontramos hoje, indicando que as previsibilidades das ações de negócios eram mais fáceis de serem geradas, implementadas, controladas e avaliadas.

Em outras palavras, os gestores do século XXI, neste ambiente VUCA, devem ser capazes de:

  1. Mapear as principais transformações que acontecerão no futuro (nos empregos, profissões, negócios, tecnologia, comportamento, política, meio ambiente e sociedade) para obter um melhor senso de direção.
  2. Prever impactos sobre a forma atual de trabalho da organização, identificando potenciais problemas e interrupções nas operações, transformando situações emergentes em necessidades de mudança imediata, podendo desta forma, reduzir o risco e aproveitar novas oportunidades.
  3. Monitorar o futuro com uma perspectiva diferenciada, com pelos menos três distintas visões de futuro, o presente de curto prazo (até 12 meses), o futuro gerenciável (de 01 a 03 anos) que apresenta maiores incertezas, mas é possível de ser gerenciado, e o futuro de longo prazo (de 04 a 10 aos) sobre o qual precisamos aprender.
  4. Liderar todas as partes interessadas para que o risco seja reduzido, abrindo espaço para que novas ideias sejam criadas, para que a inovação tenha um campo fértil de crescimento e o sucesso estratégico seja aprimorado por meio de parcerias, de trabalho em equipe e de resultados econômicos, sociais e ambientais.
  5. Ser um Criador de Cenários Futuros para que diferentes futuros possíveis sejam analisados, clarificados e identificados, para que os tomadores de decisão possam discutir, pensar, renegar situações e criar estratégias totalmente novas para o negócio.
  6. Ser um Agente de transformação que mude o futuro a partir do agora, de hoje, sendo capaz de imaginar e criar um futuro melhor e desejado. Quando somos capazes de imaginar o futuro, significa dizer que somos capazes de cria-lo.

Para os profissionais que buscam ter sucesso na área de gestão do século XXI, existe a necessidade de que entendam os mercados onde pretendem atuar, que percebam os impactos das evoluções tecnológicas, que sejam capazes de identificar as mudanças de comportamento do consumidor e dos concorrentes, além de avaliar ideias, melhorar processos e negócios, gerir equipes multidisciplinares e virtuais, identificando em cada análise realizada se o fator analisado pode ser entendido como uma oportunidade ou uma ameaça, como um ponto forte ou como um ponto fraco para o futuro da organização.

Empresários, gestores e intraempreendedores que assumem para si o papel de liderança estratégica nas organizações, necessitam entender as transformações digitais que estão acontecendo e que irão acontecer, para a partir disso, montar equipes/times, planejar recursos, gerenciar orçamentos, reorganizar processos, planejar o marketing e as finanças, os processos produtivos, a logística e os indicadores de desempenho da organização.

Dominar técnicas de planejamento estratégico é importante, mas mudar os modelos de gestão instalados, usar a tecnologia como meio para aumentar a produtividade, personalizar o atendimento do cliente, construindo negócios a prova de futuros VUCA é o objetivo do profissional de planejamento estratégico.

Ser um profissional de estratégias é para pessoas que gostam de gerar e analisar dados, sobre a empresa, sobre os clientes, sobre a concorrência, sobre o mercado, sobre a economia, sobre a tecnologia, sendo especialistas no apoio a tomada de decisão organizacional. É para pessoas que gostam de liderar e inspirar outras pessoas, estabelecer metas, integrar processos, trabalhar em equipe, mensurar resultados, melhorar a organização dia após dia, em todos os dias.

 

Autor: Elton Schneider é diretor da Escola Superior de Gestão, Comunicação e Negócios do Centro Universitário Internacional Uninter

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Marcílio Souza

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