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Independência! Será?

Muitos críticos dizem que o problema da nossa independência é que nos tornamos um “Império” e não a tão sonhada República como os demais países da América


Independência

Independência Foto: Divulgação

 Costumo dizer que no Brasil existe dois tipos de Independência a “Independência formal” e a “Independência experimental”. Explico mais adiante cada uma delas. A Independência formal é aquela a qual está documentada, carimbada e assinada e faz parte da História oficial do Brasil e a Independência experimental seria aquela que vivemos na prática. Para se tornar independente de Portugal o Brasil precisou indenizar sua metrópole em dois milhões de libras, assim nos tornamos formalmente livres, mas na prática será que vivemos tal liberdade?

Muitos críticos dizem que o problema da nossa independência é que nos tornamos um “Império” e não a tão sonhada República como os demais países da América. Ao contrário do que muitas pessoas pensam o período imperial brasileiro não foi uma "monarquia absolutista malvadona" que oprimia seus cidadãos, exceto, a escravidão que ainda era permitida, contra a vontade do governo, o Brasil imperial em nada deixava a desejar se comparado ao Brasil atual, certamente tinham um ambiente bem mais promissor que os dias atuais. Entre 1840 e 1880 o índice de analfabetismo caiu de 92% para 60%, a economia passou a ser a 6ª maior do mundo, tudo isso porque o Imperador D. Pedro II era um grande incentivador da educação das artes e da cultura e a julgar pelos resultados econômicos era um grande administrador e em razão disso gozava de grande prestígio entre os brasileiros e fora do Brasil. Em 1876 em uma viagem aos Estados Unidos D. Pedro II foi tão bem recebido que na eleição daquele ano o mesmo foi posto como candidato simbólico a presidente dos Estados Unidos e recebeu milhares de votos.

Ao contrário da maioria dos políticos de hoje a família imperial brasileira não vivia se escondendo da imprensa e fugindo do povo com medo de serem hostilizados em público e os custos com a manutenção do estado nem de perto se parece com o escandaloso sistema atual, no qual o trabalhador (leia-se escravo) trabalha quase quatro meses por ano para pagar impostos e sustentar a máquina pública e fica em casa assistindo os ministros do STF comer lagosta e tomar vinho de dez mil a garrafa. Só para frisar a constituição de 1824 previa a liberdade de imprensa e tinha vários jornais que faziam críticas ao governo sem serem perseguidos, não tinham seus jornais fechados como hoje o STF está bloqueando contas de quem os critica.

Só para lembrar a família imperial brasileira era contra a escravidão e concedeu alforria a todos os escravizados em suas propriedades que passaram a ser trabalhadores assalariados, ou seja, a família imperial deu a alforria e um emprego, e por volta da década de 1870 aderiu ao movimento abolicionista definitivamente, em 1871 a imperatriz Teresa Cristina doou todas suas joias para a causa abolicionista e enquanto isso os republicanos se aliaram aos fazendeiros com propósitos políticos, os fazendeiros eram contra o fim da escravidão porque não queriam perder sua força de trabalho, foi desse lado que se posicionaram os "santos" republicanos. A família real não arredou o pé do movimento abolicionista e as consequências da abolição para a monarquia foi a perda do trono que veio a ocorrer menos de um ano depois da abolição entrando em cena a "Libertadora República" seguindo o lema “somos da América e queremos ser americanos”, ou seja, para os republicanos o Brasil era um país atrasado e retrógrado por ter adotado o regime monárquico em vez da “maravilhosa república” e os republicanos vieram para salvar os fracos e oprimidos. Vale salientar que foi uma mulher, a princesa Isabel que assinou a Lei Áurea, mulher essa, assim como a Imperatriz Tereza Cristina pouco são lembradas na História do Brasil e os movimentos de defesa dos negros da sociedade atual nem se quer sabem que elas existiram e deram grandes contribuições pela causa abolicionista.

A república já começou errada porque entrou em operação através de um golpe em que a família imperial foi expulsa do Brasil. A população em nenhum momento foi consultada se desejava tal mudança e hoje vivemos neste sistema de exploração no qual os três poderes da República se dizem populares e democráticos, mas vivem como nobres absolutistas, como uma casta intocável e privilegiada, cercadas regalias e proteção estatal e escravizando o povo de forma sutil, levando-os cada vez mais para um abismo, um buraco sem fim. Nem a família imperial britânica em toda a sua pompa tem um custo tão alto de manutenção como a República brasileira. Ficam no ar as perguntas. Como pode dar certo um sistema que já começou errado? Ou um golpe é a forma legitima de fazer uma mudança política?

Dita estas coisas fica claro que estamos um pouco distante de uma independência experimental. Precisamos ainda viver a experiência da Independência. Viver a liberdade de empreender sem ser escravizado por um Estado explorador. Viver a liberdade de trabalhar e não ver em seu contracheque tantos descontos em troca de benéficos que raramente se efetivam. Viver a liberdade de pensamento registrada em nossa Constituição sem ser taxado de fascista só porque tem um pensamento não marxista e conservador. Viver a liberdade de estudar em escolas e universidades menos politizadas na qual o conhecimento científico seja prioridade em vez das ideologias marxistas. Viver a liberdade de ser cristão sem ser taxado de arcaico e retrógrado. Viver a liberdade de questionar e criticar os três poderes da República sem sofrer a censura do STF. Enfim temos muito ainda que lutar por nossos ideais de liberdade e independência.

“A luta continua companheiros!”

Reinaldo Valverde Pereira, o professor Valverde é Licenciado em História e Bacharel em Teologia atualmente é Professor da Rede Estadual de Sergipe

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Sobre a coluna

Igor Macedo de Lucena

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