Diagnosticar precocemente a baixa visão na infância é crucial para garantir o desenvolvimento global da criança, incluindo áreas como motor, cognitivo, comunicação e social. A oftalmologista Maria de Fátima Neri fez esse alerta em Salvador, durante o 70º Congresso Brasileiro de Oftalmologia, que termina neste sábado (12).
Ela explicou que a perda visual precoce pode interferir não apenas no aprendizado escolar mas em diversas áreas do desenvolvimento infantil. Intervenções rápidas aumentam a capacidade de usar a visão residual para criar estratégias funcionais.
A médica destacou que a baixa visão não se resume a uma simples perda de acuidade visual. "A baixa visão pode comprometer a percepção visual, a exploração do ambiente, o desenvolvimento motor, a aprendizagem e a comunicação", afirmou.
As principais causas de baixa visão na infância incluem retinopatias por infecções, catarata congênita, glaucoma congênito e anomalias do nervo óptico. Outras causas listadas são albinismo, distrofias hereditárias da retina, alta miopia e doenças neurológicas.
Maria de Fátima ressalta a importância de avaliar as funções visuais da criança e entender, junto aos pais, como a baixa visão interfere em suas atividades diárias. Questões como reconhecimento de rostos e autonomia em brincadeiras são investigadas.
Sinais de alerta incluem dificuldade para reconhecer pessoas, fixar os olhos e tropeçar com frequência. Ela reforça que a habilitação deve incluir
estímulos visuais, tecnologia assistiva, terapias diversas e orientação familiar.
Conforme a especialista, um encaminhamento precoce não é apenas tratar a visão; é proteger o desenvolvimento e o futuro da criança.