PP rejeita aliança com Flávio Bolsonaro e barra Tereza Cristina como vice

Maioria da cúpula do partido defende neutralidade na disputa presidencial; decisão reduz chances de composição entre PP e PL.

A cúpula nacional do Progressistas (PP) decidiu não integrar a chapa presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL) e rejeitou a possibilidade de a senadora Tereza Cristina (PP-MS) disputar a eleição como candidata a vice-presidente. A definição ocorreu após uma consulta realizada pelo presidente nacional da legenda, o senador Ciro Nogueira (PP-PI), junto às principais lideranças do partido.

Segundo dirigentes da sigla, a maioria se posicionou a favor da neutralidade na eleição presidencial, permitindo que os diretórios estaduais tenham autonomia para decidir quais candidaturas apoiar nos estados.

Entre os líderes que defenderam esse posicionamento estão o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), e os deputados federais Eduardo da Fonte (PP-PE), Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) e Doutor Luizinho (PP-RJ).

"Abriu-se uma consulta interna com oito integrantes do partido. A maioria foi pela neutralidade. Eu, além de Arthur Lira, Agnaldo Ribeiro e Doutor Luizinho, todos pela neutralidade", afirmou Eduardo da Fonte.

Aguinaldo Ribeiro também confirmou o entendimento predominante dentro da legenda.

"É o que eu defendi [ao Ciro], a posição de neutralidade", declarou.

Tereza diz que conversa foi preliminar

A possibilidade de Tereza Cristina integrar a chapa de Flávio Bolsonaro ganhou força após uma reunião entre os dois nesta semana. Em nota, porém, a senadora afirmou que a conversa foi apenas inicial e que nenhuma decisão havia sido tomada.

"No encontro, produtivo, falou-se pela primeira vez sobre a Vice-Presidência, mas nada foi decidido — até porque qualquer composição de chapa depende de avaliações políticas e pessoais, além de consultas e acertos partidários."

Prazo eleitoral também pesou

Outro fator apontado pelo PP para inviabilizar a aliança é o calendário eleitoral. De acordo com a legenda, o prazo para convocação da convenção partidária, exigido pelo estatuto interno, impediria a formalização da coligação dentro do limite estabelecido pela Justiça Eleitoral.

Sem o apoio formal do PP, Flávio Bolsonaro perde a possibilidade de ampliar o tempo de propaganda no rádio e na televisão, além de deixar de contar com a estrutura partidária e os recursos que uma eventual coligação poderia proporcionar.

Apesar da decisão, ainda existe uma pequena margem para novas negociações até o prazo final das convenções partidárias, marcado para o dia 5 de agosto. Entretanto, a maioria das lideranças do Progressistas considera consolidada a estratégia de manter a legenda neutra na disputa presidencial.