A pré-candidata a deputada estadual Fabíola Lemos (PT) participou do podcast Mulher Mais, na quinta-feira (25, apresentado pela jornalista Natália Costa e pela cientista política Ozeli Santos, e compartilhou momentos marcantes da sua trajetória como professora e os desafios enfrentados por ser mulher em um ambiente predominantemente masculino.
Professora há mais de 30 anos, a pré-candidata afirmou que a educação foi responsável por transformar sua própria história e se tornou a principal ferramenta para promover mudanças na vida de centenas de estudantes ao longo da carreira.
Durante a entrevista, ela contou que enfrentou situações de preconceito ao iniciar a carreira em cursos pré-vestibulares, onde era a única mulher entre um grupo formado majoritariamente por professores homens. Segundo ela, havia uma desconfiança sobre a capacidade das mulheres de ocupar esse espaço.
"Eu era a única professora mulher no pré-vestibular, em uma sala de professores maciçamente formada por homens. Foram vários os dramas que eu tive que enfrentar para me consolidar como professora de pré-vestibular de terceiro ano, porque a gente sempre é associada à tia, aquela que não vai ter domínio de turma, aquela que não vai ter a melhor didática."
Apesar das dificuldades, a professora destacou que conquistou o reconhecimento dos estudantes e transformou a sala de aula em um espaço de diálogo e emancipação.
"Quando eu me tornei professora, essa disciplina deixou de ser apenas uma disciplina. Eu fazia questão de transformá-la em um espaço de libertação, de emancipação pelo conhecimento."
A pré-candidata também lembrou que a identificação construída com os alunos permanece até hoje e considera esse reconhecimento uma das maiores conquistas de sua carreira.
"As minhas aulas eram muito comemoradas. Isso é um troféu que eu levo para a minha vida e isso fez a diferença na vida de muitas meninas."
Da sala de aula para a política
A pré-candidata explicou que foi a vivência como professora que a aproximou da política. Ela contou que acompanhou de perto situações de violência, discriminação e preconceito vividas por estudantes, especialmente mulheres e jovens da comunidade LGBTQIA+, o que despertou nela o desejo de atuar também na vida pública.
Segundo a pré-candidata, outro fator decisivo foi o debate sobre gênero nas escolas. Ela relembrou que, em 2016, seus próprios alunos a incentivaram a disputar um cargo eletivo para defender a educação e a ciência.
"Os meus alunos e as minhas alunas começaram a criar essa demanda: 'Professora, coloca teu nome para ser candidata. A gente precisa fazer uma trincheira para proteger a ciência, as teorias científicas', por conta de todo aquele contexto de obscurantismo e de fundamentalismo."
Foi a partir desse momento, que ela decidiu ingressar na política institucional. Embora seja filiada ao Partido dos Trabalhadores (PT) desde os 21 anos, afirmou que a candidatura surgiu do incentivo dos estudantes e da necessidade de ampliar a defesa da educação, dos direitos humanos e das mulheres.
"O partido já fazia parte da minha história, mas foi ali que coloquei minha candidatura pela primeira vez e comecei a disputar a política institucional."
Educação, mulheres e direitos humanos entre as prioridades
Durante o podcast, Fabíola apresentou as principais pautas que pretende defender caso seja eleita deputada estadual. Entre elas estão o fortalecimento da educação pública, a ampliação do acesso à saúde mental, a defesa dos direitos das mulheres, da população LGBTQIA+, da juventude e da cultura.
A pré-candidata também defendeu investimentos em políticas culturais voltadas para jovens, especialmente nas periferias, além do incentivo ao hip hop, à capoeira e a outras manifestações culturais negras como instrumentos de inclusão social.
Outro tema abordado foi a necessidade de ampliar o acesso aos serviços de psicologia, especialmente para adolescentes e jovens.
Ao final da entrevista, Fabíola deixou uma mensagem para incentivar a participação feminina na política.
"As mulheres piauienses são extremamente corajosas. A minha mensagem para essas mulheres é que elas se organizem. Não dá para fazer sozinha. A gente só vai ter força quando faz de forma coletiva."