Saúde

GASTROENTERITE

Vômito e diarreia? Veja o que pode estar por trás da chamada “virose da mosca”

Apesar do nome amplamente utilizado, o termo "virose da mosca" não existe do ponto de vista médico e pode gerar confusão sobre a real causa

Da Redação

Quinta - 19/02/2026 às 13:21



Foto: Divulgação Moscas não causam doença, mas facilitam a transmissão
Moscas não causam doença, mas facilitam a transmissão

Vômitos, diarreia e mal-estar gastrointestinal têm levado muitas pessoas aos serviços de saúde com a suspeita da chamada “virose da mosca”. Apesar de popular, o termo não é reconhecido pela medicina e pode gerar confusão sobre a verdadeira causa do problema.

De acordo com a infectologista Jéssica de Sousa Costa, do Hospital Universitário da Universidade Federal do Piauí (HU-UFPI), o quadro mais associado a essa expressão é a gastroenterite, uma inflamação do trato gastrointestinal que pode ser provocada por vírus, bactérias ou parasitas.

“O apelido surgiu porque as moscas pousam frequentemente em lixo, fezes e ambientes contaminados, carregando micro-organismos que podem ser depositados nos alimentos. Não é a mosca que causa a doença, mas ela pode facilitar a transmissão”, explica a especialista.

Quais são os sintomas?

As infecções gastrointestinais de origem viral geralmente começam de forma gradual. Os sintomas mais comuns são:

  • Mal-estar
  • Febre baixa
  • Náuseas
  • Vômitos
  • Diarreia líquida
  • Dor abdominal
  • Indisposição geral

Já nos casos de intoxicação alimentar, o início costuma ser súbito, muitas vezes poucas horas após a ingestão de alimento estragado ou malconservado.

“A intoxicação alimentar geralmente causa vômitos intensos, dor abdominal forte e diarreia acentuada”, detalha a médica.

Quando a infecção é bacteriana, o quadro tende a ser mais grave e prolongado.

“A febre costuma ser mais alta, a diarreia pode apresentar muco, pus ou sangue e há maior comprometimento do estado geral”, acrescenta.

Como é feito o tratamento?

Na maioria dos casos, o tratamento é simples e tem como base principal a hidratação. A recomendação inclui:

  • Ingestão frequente de água
  • Uso de soro caseiro ou soluções de reidratação oral
  • Alimentação leve
  • Evitar frituras, alimentos gordurosos e bebidas alcoólicas

Medicamentos para controle de náuseas e vômitos podem ser indicados, sempre com orientação médica.

A infectologista faz um alerta importante:

“Antibióticos só devem ser usados quando há confirmação de infecção bacteriana. Eles não têm efeito contra vírus e podem causar efeitos colaterais desnecessários.”

Quando procurar atendimento?

É fundamental buscar avaliação médica diante de sinais de alerta, como:

  • Incapacidade de se hidratar por causa de vômitos persistentes
  • Febre alta
  • Diarreia com sangue ou muco
  • Sintomas que duram mais de três dias
  • Sinais de desidratação (boca seca, tontura, pouca urina)
  • Fraqueza intensa

Crianças, gestantes e idosos merecem atenção redobrada, pois são mais vulneráveis à desidratação e às complicações.

Como prevenir?

A prevenção envolve cuidados simples, mas essenciais:

  •  Lavar bem as mãos antes das refeições e após usar o banheiro
  • Higienizar corretamente frutas e verduras
  • Armazenar alimentos de forma adequada
  • Evitar consumo de comida malconservada
  • Manter o ambiente limpo e controlar insetos

Fonte: Com informações da Ebserh

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