Saúde

POVOADO CAMPESTRE

Vídeo: Caramujo africano invade povoado e moradores temem contaminação por doenças

População do Povoado Campestre relata aumento da espécie invasora e teme transmissão de doenças

Natalia Costa

26 de maio de 2026 às 11:52 ▪ Atualizado há 44 minutos

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  • Moradores do povoado Campestre em Teresina estão preocupados com a infestação de caramujos-gigantes-africanos.
  • A espécie invasora pode transmitir doenças, e a comunidade reporta sintomas semelhantes à dengue.
  • Contatada, a Fundação Municipal de Saúde e a Secretaria de Meio Ambiente ainda não responderam oficialmente.
  • Moradores relatam aumento de caramujos desde fevereiro e casos de saúde preocupantes.
  • A infestação está em várias áreas, incluindo em ambientes domésticos e locais religiosos.
  • A pesquisadora Silvana Thiengo alerta para o risco de zoonoses, como a meningite eosinofílica.
  • O caramujo foi introduzido no Brasil nos anos 1980 sem autorização oficial.

Caramujo-gigante-africano | Foto: Reprodução
Caramujo-gigante-africano | Foto: Reprodução

Moradores do povoado Campestre, na zona rural de Teresina, estão assustados com a infestação do Caramujo-gigante-africano na região. A principal preocupação da população é o risco de transmissão de doenças causados pela espécie invasora.

O portal Piauí Hoje entrou em contato com a Fundação Municipal de Saúde (FMS) e com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (SEMAM), mas ainda não obtivemos respostas.

Segundo relatos dos moradores, a presença dos moluscos aumentou significativamente nos últimos meses. O animador infatil Murillo Garcia afirmou que a situação se agravou entre o fim de fevereiro e o início de março.

“Tu vê no meio da rua, tu vê nas paredes, tu vê nas calçadas das casas, tu vê no mato, tu vê nos lençóis, nas roupas, eles estão em tudo. Inclusive, chegaram a comer um dinheiro que foi ofertado durante uma sessão de culto. Eles estão em tudo. E aí as crianças brincam, eles quebram os caramujos”, relatou.

O Murillo Garcia relatou que diversas pessoas do Povoado Campestre apresentaram sintomas semelhantes aos da dengue nas últimas semanas e levantou preocupação sobre uma possível relação com a infestação do Caramujo-gigante-africano.

Segundo ele, a esposa chegou a ser internada com suspeita de dengue hemorrágica após apresentar febre, dores, plaquetas baixas e fortes dores abdominais.

“Todo canto que tu vê lá tem caramujo africano. A gente tá vendo que essa infestação pode prejudicar a comunidade de tal maneira, a ponto de adoecer várias pessoas”, afirmou.

O Caramujo-gigante-africano é considerado uma espécie invasora e pode representar riscos à saúde humana. A orientação é evitar contato direto com o animal e realizar a remoção utilizando luvas ou outros equipamentos de proteção.

Pesquisadora alerta para riscos de zoonoses

A pesquisadora do Instituto Oswaldo Cruz, Silvana Thiengo explicou que o caramujo-africano pode estar relacionado à transmissão de zoonoses.

Segundo ela, uma das doenças associadas à espécie é a meningite eosinofílica, causada pelo verme Angiostrongylus cantonensis, que passa pelo sistema nervoso central antes de atingir os pulmões.

"A angiostrangilíase abdominal [causada pelo parasito Angiostrongylus costaricensis] muitas vezes é assintomática, mas em alguns casos pode levar ao óbito, por perfuração intestinal e peritonite", afirmou.

De acordo com Silvana Thiengo, já existem casos registrados no Brasil, embora não associados diretamente ao caramujo-africano.

Espécie foi introduzida no Brasil nos anos 1980

O Caramujo-gigante-africano é originário da África e teria sido introduzido no Brasil durante uma feira agropecuária realizada no Paraná na década de 1980.

Ela destacou que não há registros de autorização oficial de importação da espécie pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis nem pelo Ministério da Agricultura e Pecuária.

Fonte: Comunicação / Instituto Oswaldo Cruz



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