Saúde

SAÚDE MENTAL E REDES SOCIAIS

Saúde mental no mundo digital: Ministério da Saúde articula manual de boas práticas

Encontro reuniu 25 profissionais da saúde mental e produtores de conteúdo para discutir diretrizes de comunicação nas redes digitais

Da redação

Quinta - 05/02/2026 às 14:46



Foto: Redes Sociais Encontro de Saúde Mental no Mundo Digital
Encontro de Saúde Mental no Mundo Digital

O Ministério da Saúde reuniu, nesta quinta-feira (5), cerca de 25 profissionais da saúde mental e produtores de conteúdo digital para dar início à elaboração de um manual de boas práticas voltado à comunicação sobre saúde mental na internet brasileira. A proposta é construir, ao longo dos próximos meses, diretrizes que orientem a produção de conteúdos responsáveis, alinhados aos princípios do Sistema Único de Saúde (SUS) e à complexidade social, cultural e política que atravessa o sofrimento psíquico.

A iniciativa parte do reconhecimento de que a discussão sobre saúde mental nas redes sociais vai além da divulgação de diagnósticos ou da promoção de terapias individuais. O grupo defende uma abordagem ampliada, que considere fatores estruturais — como desigualdades sociais, racismo, gênero, trabalho e condições de vida — na origem e na manutenção dos sofrimentos humanos.

Entre os participantes estão psicólogos, pesquisadores, comunicadores e influenciadores que atuam na divulgação científica e crítica sobre saúde mental.

Um dos nomes presentes foi Flávia Albuquerque, psicóloga formada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e mestra em Psicologia e Educação. À frente do perfil Despatologiza, Flávia produz conteúdos voltados à crítica da patologização da vida cotidiana e da educação, com base na Psicologia Histórico-Cultural, articulando pesquisa acadêmica e comunicação nas redes sociais. 

O encontro também contou com a participação de Christian Dunker, professor titular de Psicanálise e Psicopatologia no Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP). Psicanalista, mestre, doutor e escritor, Dunker é referência no debate público sobre sofrimento psíquico, linguagem e clínica contemporânea, além de atuar na divulgação de reflexões sobre saúde mental em diferentes espaços, incluindo as redes sociais.

E Jeane Tavares, conhecida digitalmente como Saudementalpopnegra. Psicóloga graudada pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), mestra em Saúde Comunitária e doutora e pós-doutora em Saúde Pública. Professora da Universidade Federal do Recôncavo Baiano (UFRB), Jeane atua na produção de conteúdos e podcasts sobre saúde mental, com foco nas especificidades da população negra, temática que também orienta sua atuação nas redes sociais.

Além deles, o encontro contou ainda com a presença de outros exímios profissionais e criadores de conteúdo que atuam na interface entre saúde mental, educação e comunicação digital, como Késia Rodrigues (@muitoalemdaterapia), psicóloga e psicanalista que discute a psicopatologização da vida e políticas públicas em saúde mental; Matheus Sodré (@sodremat), mestrando em Mídias Criativas que aborda cultura, tecnologia e política nas redes; Felipe José Santaella (@felipejosesantaella), médico e pesquisador dos impactos do mundo digital na saúde mental; Anaterra Oliveira (@anaterra.oli), criadora conhecida por entrevistas de rua sobre comportamentos e vulnerabilidades sociais; Maria Clara Silveira (@psiqclara), psiquiatra e comunicadora que defende a humanização da prática psiquiátrica; Karen Scavacini (@karensca), referência nacional em prevenção e posvenção do suicídio; e Alexandre Coimbra (@alexandrecoimbraamaral), terapeuta familiar, palestrante e colunista, ampliando a diversidade de perspectivas reunidas para a discussão.

A expectativa é que o documento final sirva como referência tanto para profissionais da saúde quanto para produtores de conteúdo, influenciadores e comunicadores que abordam saúde mental em ambientes digitais. A iniciativa ocorre em um contexto de crescente circulação de informações sobre sofrimento psíquico nas redes, nem sempre acompanhadas de critérios técnicos, responsabilidade ética ou contextualização social.

O manual ainda está em fase inicial de elaboração e deve passar por debates internos antes de sua finalização. Segundo os organizadores, o objetivo é que o material contribua para qualificar o debate público sobre saúde mental no Brasil, reforçando o papel da comunicação como ferramenta de cuidado, educação e promoção de direitos.

Siga nas redes sociais

Compartilhe essa notícia:


Publicidade