Saúde

CASO DE POLÍCIA

Piauienses estão usando ilegalmente medicamento para emagrecer ainda em teste

Endocrinologista afirma que retatrutida não foi aprovada em nenhum país; produto falsificado ou contrabandeado coloca vidas em risco

Da Redação

Segunda - 13/04/2026 às 16:21



Foto: Papo de Jaleco, com a jornalista Malu Barreto e o médico Anatole Borges, entrevista endocrinolosgista André Gonçalves
Papo de Jaleco, com a jornalista Malu Barreto e o médico Anatole Borges, entrevista endocrinolosgista André Gonçalves

Há pessoas usando no Piauí uma droga chamada retatrutida, que ainda está em fase de testes no mundo inteiro e não foi aprovada em lugar nenhum. Quem está usando esse produto, seja falsificado ou contrabandeado, corre risco de vida e está diante de uma questão de polícia. O alerta é do médico endocrinologista André Gonçalves, em entrevista ao podcast Papo de Jaleco, com a jornalista Malu Barreto e o médico Anatole Borges.

O medicamento em teste promete ser ainda mais potente que as chamadas canetinhas, como o manjaro e o ozempic, por atuar em três pontos diferentes do organismo. “É uma droga que não foi lançada ainda. Ela está em testes no mundo inteiro, então ela não existe virtualmente. Quem está usando aqui em Teresina, em qualquer lugar do Brasil, está correndo o risco de está usando a coisa falsificada e contrabandeada. É uma questão de polícia mesmo”, afirmou o médico.

 médico endocrinologista André Gonçalves,

O especialista reforça que a retatrutida não existe legalmente em lugar algum do mundo. Quem diz estar vendendo ou usando já está envolvido em uma rede de falsificação ou contrabando, com riscos imprevisíveis à saúde. O médico ainda critica a banalização de tratamentos hormonais nas redes sociais, onde pessoas sem formação médica dão orientações perigosas. Ele alerta que medicamentos hormonais mal indicados podem levar à morte. A recomendação final é clara: antes de qualquer tratamento para emagrecer, procure um endocrinologista de confiança e desconfie de soluções milagrosas. 

Sobre os medicamentos já aprovados, como o manjaro e o ozempic, o médico afirma que eles são muito mais seguros do que os antigos, que causavam insônia, irritabilidade e até arritmia cardíaca. As novas canetinhas ajudam a perder peso, melhoram o colesterol, reduzem o risco de doenças cardíacas e ainda aumentam a fertilidade, porque a perda de peso regula os hormônios. Mas ele faz uma ressalva importante: remédio sozinho não resolve. Quem toma a medicação e para, sem mudar o estilo de vida, volta a engordar rapidamente, pois o corpo aumenta a fome e diminui a queima de calorias. Por isso, é fundamental ter acompanhamento nutricional e fazer musculação para não perder massa muscular.

O médico explica que o caminho seguro para tratar a obesidade começa com um entendimento mais profundo sobre a doença, que atinge 20% da população brasileira. Ele alerta que e o Piauí vive um momento de transição econômica que pode aumentar ainda mais os índices de sobrepeso. Com mais acesso a alimentos industrializados, a tendência é que mais pessoas ganhem peso antes de adotar hábitos saudáveis. 

André Gonçalves explica que não existe um tipo único de obesidade. Há quatro perfis principais: quem tem fome aumentada por disfunção neurológica, quem sofre com alteração nos hormônios intestinais, quem come por razões emocionais e aqueles que realmente têm metabolismo lento. Cada caso exige um tratamento diferente.

O médico faz questão de ressaltar que a medicação sozinha não resolve. “Se você for só pela medicação, você vai ter um resultado bom no início, mas na hora que você resolver parar, você começa a ganhar peso no mesmo dia. O corpo se defende da perda. É como se você puxasse um elástico bem forte. Quanto mais você puxa, mais rápido ele volta para o local que estava.” Para evitar o efeito sanfona, ele orienta começar uma atividade física regular e fazer uma alimentação orientada por um bom nutricionista. "É fundamental essa parte", destacou.

Para acompanhar a entrevista completa, acesse o canal do Portal Piauí Hoje no Youtube, clicando abaixo:

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