ACIDENTE FATAL
Por Natalia Costa
28 de outubro de 2026 às 12:33 ▪ Atualizado há 1 hora
A morte do ex-prefeito de Socorro do Piauí, conhecido como Zé Antônio, na manhã desta quarta-feira (28), chama a atenção para os riscos dos ataques de abelhas, que podem provocar ferimentos graves e até levar à morte. Ele realizava um serviço de limpeza de uma área em sua fazenda, na zona rural do município, quando o equipamento que operava atingiu um enxame.
Segundo as informações preliminares, as abelhas começaram a entrar na máquina, e Zé Antônio tentou sair do equipamento para escapar do ataque. Ele correu, mas acabou caindo no chão e foi alcançado pelo enxame, sofrendo diversas picadas pelo corpo. As circunstâncias completas da ocorrência e os detalhes sobre o atendimento prestado à vítima ainda não foram esclarecidos.
O caso se soma a outras ocorrências registradas no Piauí e em diferentes estados brasileiros. Os episódios mostram que o contato com enxames pode ter consequências graves, principalmente quando a vítima recebe muitas ferroadas ou apresenta uma reação alérgica intensa.
Outros ataques fatais registrados no Piauí
Em julho deste ano, o vereador de Regeneração Odeilton Neno da Costa, de 47 anos, morreu depois de ser atacado por um enxame na zona rural do município. O ataque ocorreu na manhã de sexta-feira (17), enquanto ele participava da medição de um terreno. O parlamentar foi levado para o Hospital de Doenças Tropicais Natan Portella, em Teresina, onde permaneceu internado por dois dias. A morte foi confirmada no domingo (19). Segundo relatos da família publicados pela imprensa, ele sofreu mais de duas mil picadas.
Outro caso ocorreu em 6 de maio, na localidade Cristovinho, zona rural de Picos. O idoso Narcizo Gimenzes Castilho, de 63 anos, foi surpreendido pelas abelhas enquanto transitava de bicicleta por uma estrada. Ao tentar escapar, entrou em um imóvel próximo em busca de ajuda, mas morreu antes de receber atendimento médico.
Também houve um ataque coletivo em Castelo do Piauí, em março de 2025. Nove amigos foram surpreendidos por um enxame enquanto percorriam uma trilha na região da Cachoeira das Arraias. Um apicultor da região ajudou a retirar o grupo da área de risco. Quatro pessoas foram encaminhadas a um hospital da cidade com ferimentos e enjoo. Na ocasião, as vítimas estavam conscientes quando foram encontradas pelas equipes de resgate.
Casos em outros estados também terminaram em morte
Em janeiro de 2026, o trabalhador rural João Alexandrino da Silva Filho, de 58 anos, morreu depois de ser atacado por abelhas na Fazenda Ressaca, em Cáceres, no Mato Grosso. Ele dirigia um caminhão em uma área de pastagem quando foi surpreendido pelo enxame. Apesar de ter sido socorrido, morreu em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA).
Em março, a professora Suliana Aparecida Apoitia, de 42 anos, também morreu após um ataque de abelhas em uma fazenda na região da Transpantaneira, em Poconé, no Mato Grosso. A ocorrência foi registrada no sábado (7). Ela sofreu diversas picadas, foi socorrida em estado grave e teve a morte confirmada na UPA do município após uma parada cardiorrespiratória.
O que explica a gravidade dos ataques?
O Ministério da Saúde informa que as abelhas atacam principalmente para defender a colônia. Quando as primeiras ferroadas ocorrem, os insetos liberam substâncias que podem atrair outras abelhas para o mesmo alvo, aumentando o risco de um ataque com dezenas ou centenas de picadas.
A gravidade depende de fatores como a quantidade de ferroadas e a predisposição da pessoa a uma reação alérgica grave, incluindo o choque anafilático. Segundo a pasta, os acidentes com abelhas são registrados em todo o país, com maior número de notificações nas regiões Sudeste e Nordeste. As ocorrências tendem a ser mais frequentes entre outubro e março.
O Ministério também alerta para os cuidados em áreas rurais, especialmente durante o uso de tratores e outros equipamentos motorizados. O barulho dos motores pode irritar os insetos, e a movimentação de máquinas em terrenos com vegetação pode atingir colmeias que não são facilmente percebidas.
Como agir ao encontrar um enxame
A orientação é não se aproximar de colmeias nem tentar capturar, remover ou espantar um enxame por conta própria. Se houver abelhas próximas, a pessoa deve se afastar sem movimentos bruscos e buscar proteção. Durante um ataque, é importante proteger o rosto e o pescoço e procurar abrigo seguro, sem tentar golpear os insetos.
Em caso de múltiplas picadas, a vítima deve ser levada rapidamente a um hospital. O Ministério da Saúde orienta que os ferrões sejam retirados por raspagem cuidadosa, com um cartão ou objeto semelhante, e não com pinças, que podem favorecer a liberação do veneno que ainda permanece no ferrão. Essa medida não deve atrasar a procura por atendimento.
Dificuldade para respirar, inchaço importante ou sinais de reação generalizada exigem atendimento de emergência. Em situações graves, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) pode ser acionado pelo número 192, e o Corpo de Bombeiros, pelo 193.
A recomendação é não tentar resolver a situação sozinho. A retirada de colmeias e o manejo de enxames devem ser realizados por profissionais treinados e equipados.
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