O Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) vai promover uma mobilização nacional de governos estaduais e municipais para fortalecer as ações de prevenção da obesidade no Brasil, com prioridade para crianças e famílias em situação de vulnerabilidade. A mobilização faz parte da Estratégia Intersetorial de Prevenção da Obesidade, apresentada no programa Fala MDS na última sexta-feira (9). Os especialistas avaliam que o excesso de peso no país está diretamente ligado à insegurança alimentar e ao acesso limitado a alimentos saudáveis.
Após o Brasil ter saído do Mapa da Fome, o desafio agora é garantir que a população tenha acesso a uma alimentação de qualidade. “A Estratégia é uma resposta organizada do Governo Federal para um agravo nutricional que é o mais prevalente no Brasil. Hoje, mais de 60% da população adulta está com excesso de peso, assim como cerca de 30% das crianças”, alertou a coordenadora-geral de Promoção da Alimentação Saudável do MDS, Gisele Bortolini.
A iniciativa envolve 15 ministérios e reúne cerca de 90 ações integradas, com foco principal na infância e na adolescência, especialmente entre famílias inscritas no Cadastro Único. Dados do Programa Bolsa Família mostram que 31% das crianças de até 5 anos apresentam excesso de peso e 7% já têm obesidade. Para a coordenadora, esse cenário reforça a necessidade de proteção na primeira infância, período em que os hábitos alimentares são formados. “As crianças precisam ser protegidas do consumo excessivo de alimentos ultraprocessados”, destacou.
Um dos eixos centrais da estratégia é a transformação do ambiente escolar em um espaço mais saudável. O MDS apoia estados e municípios na elaboração de leis que restringem a venda e a publicidade de alimentos ultraprocessados nas escolas. Segundo Gisele, mais de 60 unidades federativas já receberam apoio técnico para esse processo. Caso todos os projetos sejam aprovados, cerca de 21 milhões de crianças poderão ser beneficiadas. Ela citou o Ceará como exemplo recente, onde uma nova legislação passou a proteger aproximadamente 2 milhões de estudantes.
A obesidade deve ser vista como um problema social que afeta de forma desigual diferentes grupos da população
A estratégia também reconhece a obesidade como um problema social que afeta de forma desigual diferentes grupos da população. “O consumo de ultraprocessados cresce cinco pontos percentuais ao ano entre a população indígena e dois pontos entre pessoas negras. A obesidade atinge mais fortemente mulheres de baixa renda e mulheres negras”, afirmou Gisele, ao destacar que fatores sociais, raciais e de gênero influenciam diretamente esse cenário.
Outro destaque é o fortalecimento do Guia Alimentar para a População Brasileira como base das políticas públicas. De acordo com a coordenadora, o documento tem sido incorporado de forma prática em programas do governo, como a nova cesta básica, que exclui alimentos ultraprocessados, o Programa de Aquisição de Alimentos e as Cozinhas Solidárias, que priorizam alimentos in natura ou minimamente processados.
Nos próximos passos, além da criação de um comitê gestor, o governo federal pretende ampliar o engajamento de estados e municípios para que a prevenção da obesidade seja tratada como prioridade nas políticas locais. Para o MDS, a articulação entre os entes federativos será fundamental para reduzir desigualdades, promover alimentação saudável e enfrentar um dos principais desafios nutricionais do país.
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