Saúde

HIGIENE DO SONO

Dormir mal não é normal: especialista alerta para impacto da insônia na saúde

Segundo a Dr. Fernanda Castro, distúrbios do sono afetam o corpo e a mente, aumentam o risco de doenças e exigem atenção médica quando persistentes

Da Redação

Terça - 24/03/2026 às 08:42



Foto: IStock Insônia imagem ilustrativa
Insônia imagem ilustrativa

Dormir mal deixou de ser apenas um incômodo ocasional e passou a ser um problema recorrente na vida de milhões de brasileiros. A insônia, cada vez mais comum, já é vista por especialistas como uma questão de saúde pública, com impactos diretos na saúde física, mental e neurológica.

Segundo a neurologista especialista em medicina do sono, médica Fernanda Gabrielle Almeida Castro, da Clínica Neurografos, o problema vai muito além de uma simples noite mal dormida.

A insônia é caracterizada pela dificuldade para iniciar o sono, mantê-lo ou por despertar precoce, sempre associada a prejuízos durante o dia, como cansaço, irritabilidade, dificuldade de concentração e queda de desempenho.

Quando a insônia deixa de ser pontual e vira doença

A insônia deixa de ser um episódio ocasional e passa a ser classificada como um distúrbio quando ocorre com frequência e de forma persistente. Em geral, o quadro é considerado crônico quando se manifesta pelo menos três vezes por semana, por um período superior a três meses.

Nesses casos, a condição deixa de ser apenas um sintoma isolado e passa a ser reconhecida como uma doença que exige acompanhamento e tratamento adequados.

O alerta é importante porque muitas pessoas acabam normalizando a dificuldade para dormir, o que pode atrasar a busca por ajuda especializada e agravar o problema ao longo do tempo.

Erros comuns que sabotam o sono

Diversos hábitos do dia a dia, muitas vezes considerados inofensivos, estão diretamente associados à piora da qualidade do sono. Entre os principais fatores estão o uso frequente de celulares e televisão antes de dormir, a falta de regularidade nos horários de descanso, o consumo de cafeína ou bebidas alcoólicas no período noturno, além do costume de levar preocupações ou atividades de trabalho para a cama e até mesmo tentar dormir sem estar com sono.

Nesse contexto, o uso de telas se destaca como um dos principais prejudicadores do sono.

A luz azul emitida por celulares e outros dispositivos inibe a produção de melatonina, hormônio responsável por iniciar o sono, além de manter o cérebro em estado de alerta.

Quantas horas de sono são realmente necessárias

A quantidade ideal de sono varia conforme a faixa etária, mas a qualidade é tão importante quanto o tempo dormido:

  • Crianças: entre 9 e 12 horas

  • Adolescentes: entre 8 e 10 horas

  • Adultos: entre 7 e 9 horas

  • Idosos: entre 7 e 8 horas

Dormir menos que o necessário de forma contínua pode gerar prejuízos acumulativos ao organismo.

Distúrbios do sono vão além da insônia

Embora a insônia seja o distúrbio do sono mais conhecido, ela não é o único que afeta a população.

A apneia obstrutiva do sono, por exemplo, é uma condição em que ocorrem pausas na respiração durante o sono, geralmente acompanhadas de ronco intenso e quedas na oxigenação do organismo. Já a síndrome das pernas inquietas é caracterizada por uma sensação desconfortável nos membros inferiores, que gera uma necessidade involuntária de movimentá-los, especialmente no período noturno, dificultando o início do sono.

Além disso, há a privação crônica de sono, que acontece quando a pessoa dorme menos do que o necessário de forma contínua, acumulando um déficit que impacta diretamente o funcionamento do corpo e da mente.

Muitas vezes silenciosos, esses distúrbios podem passar despercebidos, mas têm potencial para comprometer significativamente a saúde e a qualidade de vida.

Relação direta com ansiedade, depressão e doenças neurológicas

Um dos pontos que mais chamam atenção é a relação entre o sono e a saúde mental. A insônia está diretamente ligada a transtornos como ansiedade e depressão, podendo tanto contribuir para o surgimento dessas condições quanto ser consequência delas.

Além dos impactos emocionais, os prejuízos podem se agravar ao longo do tempo.

A insônia está associada a maior risco de declínio cognitivo e demências, incluindo a doença de Alzheimer.

A privação crônica de sono também pode provocar danos neurológicos persistentes, comprometendo a memória e aumentando o risco de doenças neurodegenerativas.

Riscos vão além do cérebro

Dormir mal não afeta apenas o funcionamento mental. A longo prazo, a falta de sono está associada a diversas doenças, como:

  • Hipertensão

  • Infarto

  • AVC

  • Diabetes

  • Obesidade

  • Depressão e ansiedade

  • Comprometimento da memória

Ou seja, o sono é peça fundamental para o funcionamento de todo o organismo.

Automedicação: um perigo silencioso

Diante da dificuldade para dormir, muitas pessoas recorrem a medicamentos por conta própria — um hábito perigoso.

A automedicação pode causar dependência, necessidade de doses cada vez maiores, piora da qualidade do sono e aumento do risco de quedas e prejuízo cognitivo, especialmente em idosos.

Por isso, qualquer tratamento deve ser feito com acompanhamento médico.

Quando procurar ajuda médica

A busca por avaliação especializada é recomendada quando a dificuldade para dormir passa a ser frequente, há sensação constante de cansaço ao longo do dia ou quando o sono não é reparador. Alterações de humor, falhas de memória e dificuldade de concentração também são sinais de alerta que indicam a necessidade de acompanhamento profissional.

Nesses casos, o diagnóstico é feito inicialmente de forma clínica, a partir da análise detalhada da história do paciente e da avaliação do seu padrão de sono.

Polissonografia: exame que avalia o sono em detalhes

Em alguns casos, exames complementares são necessários. O principal deles é a polissonografia.

É um exame que avalia o sono de forma completa, monitorando respiração, oxigenação, atividade cerebral, movimentos corporais e frequência cardíaca.

A polissonografia é indicada especialmente em situações como:

  • Suspeita de apneia do sono

  • Movimentos anormais durante o sono

  • Sonolência excessiva sem causa definida

  • Casos de insônia que não respondem ao tratamento

O exame é realizado durante o sono, com sensores colocados no corpo do paciente, sendo um procedimento seguro e não invasivo. Pode ser feito em clínicas especializadas ou, em alguns casos, em casa.

Dormir bem é necessidade, não luxo

Em meio a uma rotina cada vez mais acelerada, marcada por excesso de estímulos, cobranças e uso constante de tecnologia, o sono costuma ser negligenciado e, muitas vezes, tratado como algo secundário. No entanto, especialistas alertam que dormir bem não é um privilégio — é uma necessidade biológica fundamental para o funcionamento adequado do organismo.

Muito além de proporcionar descanso, o sono desempenha um papel essencial na regulação do humor, na consolidação da memória, no fortalecimento do sistema imunológico e no equilíbrio hormonal. É durante o sono que o corpo realiza processos importantes de recuperação física e mental, indispensáveis para a saúde e a qualidade de vida.

Ignorar essa necessidade pode trazer consequências acumulativas e silenciosas, afetando desde o rendimento nas atividades diárias até o aumento do risco de doenças crônicas e neurológicas. Por isso, priorizar uma boa noite de sono deve ser encarado como um investimento na saúde a curto, médio e longo prazo — tão importante quanto manter uma alimentação equilibrada e a prática regular de atividades físicas.

Sobre a especialista

A Dra. Fernanda Gabrielle Almeida Castro é médica neurologista com atuação na área de medicina do sono, reconhecida pela experiência no diagnóstico e tratamento de distúrbios neurológicos e do sono. Formada em Medicina pela Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, concluiu residência em Neurologia pelo Hospital Santa Marcelina, em São Paulo, e posteriormente se especializou em Medicina do Sono pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). 

Com trajetória consolidada, é membro titular da Academia Brasileira de Neurologia e já presidiu o capítulo do Piauí da entidade entre 2020 e 2022. 

Atualmente, atende na Clínica Neurografos, em Teresina, onde se dedica ao cuidado de pacientes com distúrbios do sono, doenças cerebrovasculares, demências, dores de cabeça e outras condições neurológicas.

Seu trabalho é pautado em abordagem baseada na ciência, com foco na escuta e no cuidado individualizado dos pacientes.

Para quem deseja buscar orientação especializada ou agendar atendimento, a Dra. Fernanda está disponível para contato pelo telefone (86) 99943-1732 e também pelo Instagram, no perfil @fernandacastro.neuro.

Doutora Fernanda recebeu o prêmio de Neurologista Destaque em 2025 da Medsafe, empresa que operacionaliza a Linha de cuidado de AVC no Piauí.

Fonte: Dra. Fernanda Gabrielle Almeida Castro

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