DISCURSO
Da Redação
31 de outubro de 2026 às 12:10 ▪ Atualizado há 44 minutos
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) quebrou o silêncio na sexta-feira (30), após chegar aos Estados Unidos com a família, mas evitou esclarecer como organizou a viagem, quem financiou o deslocamento e quem participou da operação que o levou para fora do Brasil. Em transmissão ao vivo nas redes sociais, o parlamentar afirmou que decidiu partir depois de receber uma intimação da Polícia Federal (PF) para entregar seus passaportes.
A viagem ocorreu após a derrota de Flávio para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais, em 25 de outubro. O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), havia determinado medidas cautelares contra o senador, incluindo a apreensão de passaportes e a proibição de deixar o país.
Segundo a reportagem da Revista Fórum, Flávio contou que visitou o pai, Jair Bolsonaro, e foi abordado por agentes da PF ao sair da residência do ex-presidente. Ele afirmou que, depois de voltar para casa, conversou com a esposa, Fernanda, e começou a preparar a viagem. Não apresentou, porém, detalhes sobre a contratação da aeronave particular nem sobre a participação de terceiros.
Trajeto passou por Argentina e Equador
Flávio deixou o Brasil por via terrestre em direção à Argentina, de onde embarcou em um avião particular. A aeronave fez uma escala em Guayaquil, no Equador, antes de seguir para Miami, nos Estados Unidos. O senador chegou ao destino acompanhado da mulher e das duas filhas.
A logística da viagem levantou questionamentos porque a saída ocorreu depois da determinação judicial que restringia seus deslocamentos. A Polícia Federal informou que cancelou os passaportes brasileiros do parlamentar e inseriu um alerta migratório no sistema de controle de fronteiras.
Em nota divulgada em 28 de outubro, a PF afirmou que não havia registro oficial da saída do senador pelos postos brasileiros de controle migratório e informou que investigava as circunstâncias do possível descumprimento das determinações judiciais.
Reportagens também apontaram a possível participação de Jason Miller, aliado do presidente norte-americano Donald Trump, na obtenção do jato particular. Flávio, no entanto, não esclareceu publicamente quem organizou ou custeou o deslocamento.
Carta com declaração de presidente eleito
Depois de chegar aos Estados Unidos, Flávio divulgou uma carta na qual agradeceu aos presidentes Donald Trump, dos Estados Unidos, e Javier Milei, da Argentina, pelo apoio recebido. Na primeira versão do documento, o senador se apresentou como o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”, apesar de ter sido derrotado por Lula nas urnas.
Cerca de meia hora depois, a expressão foi alterada para “líder do Brasil”. Na carta, Flávio também alegou fraude eleitoral, mas não apresentou provas que sustentassem a acusação.
O documento ainda indicava a intenção do senador de liderar a oposição brasileira a partir dos Estados Unidos. Na transmissão ao vivo de sexta-feira, ele voltou a defender uma atuação mais forte da oposição no Congresso Nacional e anunciou apoio ao senador Rogério Marinho (PL-RN) para a presidência do Senado.
PF investiga possível descumprimento de ordem judicial
A Polícia Federal havia solicitado ao STF medidas cautelares contra Flávio após apontar risco concreto de saída do país. A decisão foi tomada depois do resultado eleitoral, e o senador foi intimado a entregar documentos de viagem.
A corporação esclareceu que o descumprimento de restrições relacionadas a documentos de viagem não caracteriza automaticamente a condição de foragido nem autoriza, por si só, a prisão do investigado.
As circunstâncias da saída do senador continuam sob apuração. Até o momento, Flávio não apresentou explicações detalhadas sobre como conseguiu organizar a viagem depois da ordem judicial.
Veja o vídeo:
Fonte: Revista Fórum
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