ENTREVISTA
Teresinha Ferreira
27 de agosto de 2026 às 23:30 ▪ Atualizado há 1 hora
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, participou na noite desta quinta-feira (27) da série de entrevistas da TV Globo com os candidatos à Presidência da República. Durante cerca de 40 minutos, Lula foi questionado pelos jornalistas César Tralli e Renata Vasconcellos sobre investigações envolvendo seu filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, o escândalo do INSS, Banco Master, contas públicas, estatais, educação e segurança pública.
A sabatina começou por volta das 21h05, nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro. Lula foi o quarto candidato a participar da rodada, depois de Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão). Flávio Bolsonaro (PL) será entrevistado nesta sexta-feira (28), e Augusto Cury (Avante), no sábado (29).
Lulinha domina início da entrevista
Um dos momentos de maior tensão ocorreu logo no início, quando Lula foi questionado sobre as investigações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha. O presidente classificou parte das suspeitas como "ilações", mas afirmou que não utilizará a estrutura do governo para impedir o avanço das investigações. Lula disse acreditar na inocência do filho, mas ressaltou que ele deverá responder caso seja comprovada alguma irregularidade.
"Não haverá da parte da Presidência da República um milímetro de movimento para proteger o meu filho", declarou.
Fábio Luís é alvo de investigações da Polícia Federal que apuram suspeitas de tráfico de influência e corrupção envolvendo empresas e o governo federal. O filho do presidente é investigado, mas não é formalmente acusado: essa condição depende de eventual denúncia do Ministério Público e do recebimento dela pelo Judiciário.
Lula admite erro de ex-chefe de gabinete
A entrevista também abordou Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula. A Polícia Federal identificou repasse de dinheiro da lobista Roberta Luchsinger para Marcola. Durante a sabatina, Lula afirmou acreditar, até o momento, na versão de que se tratava de um empréstimo de R$ 249 mil, mas considerou inadequada a relação. Segundo Lula, Marcola era uma pessoa de sua "total confiança", mas deverá responder caso tenha cometido alguma irregularidade.
Ao ser questionado sobre Roberta Luchsinger, Lula afirmou não conhecê-la e negou ter oferecido cargo no governo à empresária. Após a entrevista, porém, a Folha de S.Paulo localizou fotografias publicadas nas redes sociais em que Luchsinger aparece ao lado de Lula em pelo menos três ocasiões, em 2022 e 2023. As imagens, por si só, não demonstram a natureza ou o grau de relacionamento entre os dois, mas contrastam com a declaração de que nunca a teria visto.
Fraudes no INSS entram na sabatina
O esquema de descontos indevidos contra aposentados e pensionistas do INSS também foi abordado. Lula afirmou que a organização responsável pelas fraudes teria sido estruturada em 2019 e que foi descoberta e desmantelada durante sua gestão. O candidato sustentou ainda que os aposentados prejudicados foram ressarcidos pelo governo.
As investigações envolvendo o filho, o ex-chefe de gabinete e o INSS ocuparam parte significativa do primeiro bloco. Em determinado momento, Lula brincou com o teor dos questionamentos e disse que estava "parecendo" estar no Ministério Público.
Banco Master e Jaques Wagner
Outro tema delicado foi a investigação envolvendo o Banco Master e o senador Jaques Wagner (PT-BA), aliado histórico do presidente. Lula defendeu Wagner e afirmou que as pessoas devem ser consideradas inocentes até prova em contrário. O presidente disse conhecer o senador há décadas e acreditar em sua honestidade, mas acrescentou que, caso seja comprovado algum desvio, ele deverá responder como qualquer cidadão. A Polícia Federal investiga possíveis relações entre Wagner e pessoas ligadas ao Banco Master. A apuração ainda está em andamento e não representa condenação do senador.
Lula promete superávit fiscal em 2026
Quando a entrevista passou para a economia, Lula foi questionado sobre a situação das contas públicas e o crescimento da dívida. O presidente afirmou que a dívida pública não representa motivo para preocupação e declarou que o crescimento econômico ajudará a reduzir seu peso em relação ao Produto Interno Bruto.
Segundo a Reuters, Lula também prometeu que o país terá superávit fiscal em 2026.
A dívida bruta chegou a 81,9% do PIB, mais de dez pontos percentuais acima do patamar registrado quando Lula iniciou o atual mandato, em 2023. O presidente defendeu a política econômica e afirmou que sua equipe atua com responsabilidade fiscal.
Presidente descarta privatização dos Correios
Questionado sobre as empresas estatais, Lula afirmou que não pretende vender os Correios, apesar das dificuldades financeiras enfrentadas pela empresa. O candidato disse acreditar na recuperação das estatais e defendeu que os Correios voltem a oferecer serviços de qualidade à população.
Educação e segurança pública
Na parte final, a sabatina passou para educação e segurança pública. Lula destacou a expansão das universidades e dos institutos federais durante seus governos e citou programas destinados a estimular jovens com bom desempenho no Enem a seguirem a carreira docente. Questionado sobre os resultados de aprendizagem, afirmou que a responsabilidade pela educação é compartilhada entre União, estados e municípios.
Na segurança pública, Lula voltou a defender a PEC da Segurança Pública, argumentando que a proposta permitirá maior articulação entre União, estados e demais instituições responsáveis pelo combate à criminalidade.
Lula volta a criticar Lava Jato e imprensa
Um dos momentos mais tensos da entrevista aconteceu quando Lula retomou as críticas à Operação Lava Jato e à cobertura jornalística dos processos que resultaram em sua prisão. O presidente voltou a mencionar o PowerPoint apresentado pelo então procurador Deltan Dallagnol em 2016 e disse não ter esquecido o episódio. Renata Vasconcellos respondeu defendendo que o jornalismo da Globo cumpriu sua obrigação de noticiar os acontecimentos da época. César Tralli também interveio mencionando uma retratação recente da GloboNews relacionada a outro PowerPoint, produzido sobre o caso Banco Master. Tratava-se, portanto, de uma apresentação diferente daquela citada inicialmente por Lula.
Entrevista acontece em momento decisivo da campanha
A participação no Jornal Nacional ocorre a pouco mais de um mês do primeiro turno das eleições presidenciais, marcado para 4 de outubro. Além de ser presidente da República, Lula disputa a reeleição e aparece entre os principais candidatos nas pesquisas eleitorais. A entrevista desta quinta-feira teve peso adicional por ocorrer na véspera do início do horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão. A série da Globo continua nesta sexta-feira (28) com Flávio Bolsonaro (PL) e termina no sábado (29), quando o entrevistado será Augusto Cury (Avante).

Fonte: Programa de Globo
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