Política

ASSÉDIO ELEITORAL

Postagens no Instagram incentivam demissão de petistas e podem configurar crime eleitoral

Publicações de políticos e influenciadores estimulam empresários a dispensar trabalhadores por suas posições políticas

Por Redação

28 de outubro de 2026 às 12:14 ▪ Atualizado há 1 hora


Reprodução Petistas em ato em Teresina
Petistas em ato em Teresina

Publicações no Instagram têm incentivado empresários a demitir funcionários identificados como apoiadores do Partido dos Trabalhadores (PT), além de estimular a recusa de contratação e o boicote a estabelecimentos ligados a pessoas que votaram no presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A movimentação ganhou força depois do resultado das eleições presidenciais de 2026 e passou a chamar a atenção do Ministério Público do Trabalho (MPT).

Entre as publicações que circulam nas redes sociais estão mensagens direcionadas diretamente a empregadores. A vereadora de Londrina Jessica Ramos Moreno, conhecida como Jessicão (PL), escreveu: "Você tem uma empregada que é petista? Demita! Tem um funcionário que é petista? Demita!"

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Outros influenciadores também divulgaram conteúdos que sugerem restrições a pessoas identificadas com o partido. A influenciadora Josiflora, que reúne mais de 1 milhão de seguidores no Instagram, publicou a mensagem: "Não ajude petista: na fila da regulação, em pedido de emprego, em nenhum tipo de favor". Em outro vídeo, ela orientou os seguidores a não oferecer água a pessoas que apoiam o PT.

O empresário e influenciador Rapha Hanzol também publicou um vídeo no qual anunciou que demitiria uma funcionária que considerava a melhor da empresa. Na gravação, ele relacionou a decisão ao que chamou de adequação à cultura e aos procedimentos do local de trabalho.1793200314604.jpg

Já a deputada estadual do Rio de Janeiro Índia Armelau (PL) compartilhou uma mensagem direcionada a empresários que dizia: "Não contrate quem odeia empresários. Quem gera empregos merece respeito". Na publicação, também escreveu: "Eu não tenho dúvida de que fomos roubados. Ponto". Na terça-feira (27), o MPT-RJ pediu R$ 500 mil em indenização contra a parlamentar por incentivo a demissões motivadas por questões políticas.

Influenciadores também incentivam boicotes

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Políticos e influenciadores incentivam demissão e boicote a quem votou em Lula — Foto: Reprodução

As campanhas não se restringem ao ambiente profissional. A influenciadora Livian Weber Asmar publicou conteúdos com a expressão "Boicote aos petistas" e divulgou uma lista de restaurantes e estabelecimentos de São Paulo que, segundo ela, deveriam ser evitados por consumidores conservadores.

Natássia Chamelete também anunciou que deixaria de contratar serviços de profissionais que apoiam o PT, incluindo médicos e cabeleireiros, e incentivou seus seguidores a adotarem a mesma postura.

MPT alerta para discriminação política

O Ministério Público do Trabalho registrou 2.177 denúncias de assédio eleitoral em 2026. Desse total, mais de 427 foram apresentadas depois da divulgação do resultado da eleição presidencial, o equivalente a cerca de 19,6%.

Segundo o procurador do Trabalho Igor Sousa Gonçalves, coordenador nacional de Promoção da Igualdade de Oportunidades e Eliminação da Discriminação no Trabalho, o órgão recebeu um volume expressivo de denúncias e vê com preocupação tentativas de transformar divergências políticas em critérios para contratar, demitir ou manter trabalhadores.

"Nesses casos, o Ministério Público do Trabalho tem todo um regramento que impede esse tipo de discriminação do trabalhador pelo voto, pela opção política dele", afirmou.

O procurador também destacou que a responsabilização pode alcançar quem incentiva outras pessoas a praticar discriminação. "Os terceiros que utilizam as redes sociais para incentivar as empresas a demitir, a perseguir e retaliar os trabalhadores por suas escolhas políticas também podem ser responsabilizados", disse.

A legislação brasileira proíbe práticas discriminatórias no acesso e na manutenção do emprego. A Lei nº 9.029, de 1995, é uma das bases jurídicas utilizadas pelo MPT nesses casos. A liberdade de escolha política também é protegida pela Constituição Federal.

De acordo com a advogada trabalhista Thaluana Aves, ameaçar dispensar um funcionário para pressioná-lo politicamente pode constituir uma conduta ilícita, mesmo que a demissão não se concretize. Ela ressalta, porém, que cada publicação precisa ser avaliada conforme seu conteúdo, contexto e circunstâncias.

Como denunciar

Trabalhadores que sofrerem ameaças, perseguição ou discriminação por motivos políticos devem guardar provas, como capturas de tela, mensagens, áudios, vídeos e informações sobre testemunhas.

As denúncias podem ser feitas de forma remota e sigilosa pelo site do Ministério Público do Trabalho, em www.mpt.mp.br, ou presencialmente em uma unidade do órgão.

Fonte: G1 Globo e Metrópoles



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