O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) utilizou um jatinho ligado ao CEO do Banco Master, Daniel Vorcaro, para cumprir agenda de campanha em apoio ao então presidente Jair Bolsonaro no segundo turno das eleições de 2022. A aeronave, um Embraer 505 Phenom 300, foi usada nos deslocamentos da caravana “Juventude pelo Brasil”, liderada por Nikolas e pelo pastor Guilherme Batista, da Igreja Lagoinha.
Em 10 dias, entre 20 e 28 de outubro de 2022, o grupo percorreu ao menos nove estados e o Distrito Federal, com o objetivo de buscar votos em regiões onde Luiz Inácio Lula da Silva havia obtido maioria no primeiro turno.
Segundo registros de monitoramento por transponder, o jato passou por todas as capitais do Nordeste, além de cidades do Vale do Jequitinhonha, no Triângulo Mineiro e por Brasília. As datas coincidem com eventos realizados pela caravana e com outras agendas de campanha pró-Bolsonaro, algumas delas com a presença do então presidente.
Nas redes sociais, Nikolas apareceu em foto diante da aeronave ao lado do pastor, da esposa dele, Mariel, e da influenciadora cristã Jey Reis, que celebrou a mobilização. Em uma das publicações, ela afirmou que o grupo percorreu capitais nordestinas em poucos dias, com eventos lotados e mensagens de fé e apoio ao Brasil.

O jato pertence ao grupo Prime You, empresa que concentra aeronaves e outros bens associados a Vorcaro, incluindo uma mansão em Brasília. À época, em outubro de 2022, o empresário era sócio da companhia ao lado de Maurício Quadrado. A sociedade foi encerrada em setembro de 2025, pouco antes da liquidação do Banco Master.
Nikolas confirmou que participou das viagens no Phenom 300, mas afirmou desconhecer a ligação da aeronave com Vorcaro. Segundo o deputado, ele foi convidado pelo pastor Guilherme Batista e não participou da organização logística da caravana nem teve conhecimento sobre quem financiou os voos.
“Nunca apertei a mão de Vorcaro, nunca estive com ele e não tenho nenhum tipo de negócio com ele ou com o Master”, declarou o parlamentar. Em nota, reforçou que, à época, não sabia quem era o proprietário do avião e que sua presença nos voos ocorreu exclusivamente por convite para agendas de campanha, sem vínculo pessoal, comercial ou institucional com o dono da aeronave.
Como as agendas não integravam oficialmente a campanha de Bolsonaro, o uso do jatinho não precisou ser declarado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Em nota, a defesa de Vorcaro afirmou que a aeronave “não pertence ao banqueiro”, embora ele fosse um dos sócios da empresa proprietária no período.
Já a Prime You declarou que os voos foram fretamentos realizados dentro das práticas do mercado de táxi aéreo e informou que não pode divulgar quem contratou as viagens nem os custos envolvidos, citando regras do setor e a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
Fonte: O Globo