Brasil

Desigualdade alimentar

Mulheres negras do Norte e Nordeste sofrem mais com a fome

Estudo revela que lares chefiados por mulheres negras são mais afetados pela insegurança alimentar.

Teresinha

09 de maio de 2026 às 10:02 ▪ Atualizado há 55 minutos

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  • Lares chefiados por mulheres negras no Norte e Nordeste do Brasil enfrentam maior insegurança alimentar.
  • O estudo destaca que 38,5% dos lares liderados por mulheres negras sofrem de insegurança alimentar.
  • Domicílios chefiados por homens negros, mulheres brancas e homens brancos seguem com menores taxas.
  • Regiões com maior insegurança: Norte (46,3%) e Nordeste (45,7%).
  • Frequentemente, mulheres negras em empregos formais enfrentam a mesma insegurança alimentar que homens brancos informais.
  • As regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste apresentam melhores índices de segurança alimentar, especialmente entre brancos.
  • A presença na zona rural agrava a insegurança alimentar, exigindo políticas específicas.
  • Lares chefiados por empregadores brancos têm maior segurança alimentar comparados aos de negros.
  • Estruturas de opressão afetam a qualidade de vida e o acesso ao alimento.
  • A segurança alimentar é influenciada por políticas sociais, destacando a importância de programas como Bolsa Família e o Consea.
  • A insegurança alimentar grave teve uma queda significativa de 2022 a 2023, como mostrado no estudo.

Mulheres negras do Norte e Nordeste sofrem mais com a fome

Lares chefiados por mulheres negras nas regiões Norte e Nordeste são os mais impactados pela insegurança alimentar grave. Esses dados são do estudo As faces da desigualdade: raça, sexo e alimentação no Brasil (2017-2023), de Veruska Prado e Rute Costa.

“Ser mulher e negra significou maior convivência com as desigualdades e injustiças alimentares”, explicam as autoras. A publicação é promovida pela Fian Brasil.

Conforme o estudo, os lares com maior incidência de insegurança alimentar são aqueles chefiados por mulheres negras (38,5%), seguidos por homens negros (28,9%), mulheres brancas (22,2%) e homens brancos (15,7%).

A pesquisa destaca que domicílios liderados por mulheres negras apresentam piores cenários de insegurança alimentar em todo o Brasil, com maior gravidade nas regiões Norte e Nordeste, onde quase metade desses lares enfrenta algum grau de insegurança alimentar (46,3% e 45,7%, respectivamente).

“A frequência da fome entre lares chefiados por mulheres negras em trabalho formal é igual à dos lares liderados por homens brancos informais”, afirmam as autoras.

  • Sul, Sudeste e Centro-Oeste têm melhores índices de segurança alimentar, especialmente em lares chefiados por brancos.
  • Norte e Nordeste têm os piores indicadores, especialmente em domicílios de famílias negras e especificamente de mulheres negras.
  • A insegurança alimentar é mais presente na zona rural, reforçando a necessidade de políticas específicas para o campo.

“A inserção no mercado de trabalho formal e o tipo de ocupação influenciam fortemente a situação alimentar dos domicílios”, destaca a publicação.

Em domicílios chefiados por "empregadores", notou-se que lares de pessoas brancas tiveram maior segurança alimentar comparados aos de pessoas negras.

“A lista de segurança alimentar é: mulheres brancas (95,2%), homens brancos (93,8%), mulheres negras (89,4%) e homens negros (89%)”, aponta o levantamento.

Segundo Rute Costa, estruturas de opressão influenciam a qualidade de vida das pessoas, além do acesso ao alimento.

“A segurança alimentar é sensível às políticas sociais. Investimentos maiores mostram mudanças significativas. A retomada do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea) e o fortalecimento do Bolsa Família em 2023 são essenciais para promover mudanças”, afirma Costa, professora da UFRJ.

O estudo analisou o período antes da anunciada saída do Brasil do Mapa da Fome, em 2025, pela ONU. A insegurança alimentar grave, estimada em 15,5% em 2022, caiu para 4,1% em 2023. Leia mais.

Fonte: Agência Brasil



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