Política

SENADOR DO PIAUÍ

Mensagens mostram conversas de Ciro Nogueira com investigados de ligação com PCC no Piauí

Quebra de sigilo telemático descobre grupo de WhatsApp entre o senador e empresários investigados por fraudes bilionárias; parlamentar nega

Da redação

Quinta - 02/04/2026 às 14:58



Foto: (Marcelo Camargo/Agência Brasil) Mensagens interceptadas citam senador em conversas com investigados por esquema bilionário no setor de combustíveis.
Mensagens interceptadas citam senador em conversas com investigados por esquema bilionário no setor de combustíveis.

Mensagens interceptadas pela Operação Carbono Oculto 86, deflagrada em novembro de 2025 no Piauí, revelaram conversas entre o senador Ciro Nogueira, ex-ministro da Casa Civil do governo Jair Bolsonaro, e investigados por participação em um esquema bilionário de fraudes no setor de combustíveis e ligação com Primeiro Comando da Capital (PCC).

Reportagem do jornalista Breno Pires, da Revista Piauí, aponta que o parlamentar — que não é investigado no inquérito — mantinha contato com empresários suspeitos de utilizar postos, empresas de fachada, fundos de investimento e fintechs para lavar dinheiro para o Primeiro Comando da Capital.

Grupo de WhatsApp

A quebra de sigilo telemático dos empresários Haran Sampaio e Danillo de Sousa revelou a existência de um grupo de WhatsApp chamado “Ciro Vitor Haran Danilo”. Nele, o senador, identificado como “Sena”, teria convidado os investigados para um encontro em sua residência, em novembro de 2023.

O encontro teria ocorrido às vésperas da venda de parte da rede de postos dos empresários para Roberto Leme, conhecido como Beto Louco, apontado como um dos líderes do esquema. Em uma das mensagens, Haran escreveu: “Só depende do ok dele”. Ciro respondeu: “Ok”. O negócio foi concluído em dezembro de 2023.

As conversas continuaram nas semanas seguintes. Em 4 de janeiro, o senador escreveu: “Querem passar aqui no hotel pra gente atualizar as coisas?”. Haran respondeu: “Ok, estamos indo.” Em seguida, outro participante informou: “Estamos aqui”, e Ciro pediu “5 min”, indicando um possível encontro presencial.

Lobby e emendas

Segundo as investigações, Victor Linhares, conhecido como “Vitinho” e ex-assessor do senador, teria atuado como lobista e recebido R$ 230 mil dos empresários no período das negociações. O valor teria sido movimentado por meio de uma fintech sob investigação por lavagem de dinheiro. Ele foi denunciado pelo Ministério Público.

A apuração também identificou contatos com o deputado federal Júlio Arcoverde, aliado de Ciro. Em uma mensagem, um dos empresários solicita retorno do parlamentar para tratar de assuntos não detalhados.

Relatório do Coaf apontou ainda um repasse de R$ 9,5 mil de um CNPJ ligado à campanha eleitoral de Júlio Arcoverde para uma empresa associada aos investigados.

Apesar das menções, Ciro Nogueira e Júlio Arcoverde não são formalmente investigados, em razão do foro privilegiado, que exige eventual apuração pelo Supremo Tribunal Federal.

Em nota, a assessoria de Ciro afirmou que o senador não tem “envolvimento com ações ilícitas” e que tentativas de associá-lo a escândalos serão frustradas. Júlio Arcoverde também negou irregularidades e declarou não ter conhecimento de menções ao seu nome no contexto investigado.

Os empresários citados não foram localizados pela reportagem. Já Victor Linhares afirmou que o inquérito tramita sob sigilo e orientou a busca por informações junto à assessoria jurídica.

Apontados como líderes do esquema, Roberto Leme, o Beto Louco, e Mohamad Hussein Mourad, conhecido como Primo, estão foragidos desde a deflagração da operação.

Fonte: Revista Fórum

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