EXÉRCITO DE LULA
Da Redação
11 de outubro de 2026 às 13:55 ▪ Atualizado há 1 hora
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou, neste domingo (11), a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que determinou a suspensão do canal “Exército do Lula”, no WhatsApp, administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG). Durante um ato político na Avenida Paulista, em São Paulo, Lula questionou a atuação da Justiça Eleitoral, afirmou que há desequilíbrio no tratamento dado aos grupos políticos nas redes sociais e anunciou que o partido pretende recorrer da medida.
“Eu vejo que na rede social nós estamos ganhando o jogo. Eu sei que o nosso povo está muito ativo, está trabalhando demais, está postando muita coisa e é por isso que eu estou desconfiado do comportamento da Corte Eleitoral, que tem bloqueado muita gente nossa e tem permitido que as ações deles continuem existindo”, declarou o presidente.
Lula também afirmou que não aceitará o que considera uma interferência indevida da Justiça Eleitoral no processo eleitoral. Segundo ele, a iniciativa de recorrer à Justiça busca restabelecer o equilíbrio entre as campanhas na disputa pela Presidência da República.
“Nós vamos hoje, entrar na Justiça, contendendo do nosso partido, da nossa força, para que a gente equilibre esse jogo. Não vamos aceitar a intromissão indevida da Justiça Eleitoral na eleição”, disse.
Em sua manifestação, o presidente contestou a suspensão do canal e defendeu que as eleições ocorram sem o que considera interferências indevidas da Justiça. Lula também cobrou uma atuação que classificou como civilizada e republicana por parte das autoridades eleitorais.
“Ora, não é possível que o secretário de Justiça Eleitoral não tenha um comportamento civilizado, republicano de permitir que as eleições fluam sem interferência da Justiça”, afirmou.
Ao criticar a decisão, Lula sustentou que grupos ligados ao seu campo político vêm sofrendo bloqueios nas redes sociais, enquanto, na avaliação dele, conteúdos e iniciativas de adversários continuam disponíveis.
A declaração ocorre em meio à intensificação da disputa digital entre as campanhas de Lula e do senador Flávio Bolsonaro (PL), adversário do presidente no segundo turno. A mobilização de apoiadores nas plataformas digitais tornou-se uma das frentes de atuação das duas candidaturas.
Decisão atende a pedido de Flávio Bolsonaro
A suspensão do canal foi determinada neste domingo pelo presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, após uma solicitação apresentada pela campanha de Flávio Bolsonaro.
O “Exército do Lula”, criado e administrado por André Janones, reunia mais de 3 milhões de seguidores e funcionava como um espaço de mobilização de apoiadores do presidente, com distribuição de conteúdos políticos e orientações para divulgação de publicações nas redes sociais.
No pedido encaminhado à Justiça Eleitoral, a campanha de Flávio acusou o canal de promover a disseminação coordenada de informações falsas e de conteúdos ofensivos contra o candidato. Entre os exemplos apresentados estão publicações que associariam o senador a milícias e alegações sobre possíveis mudanças em benefícios sociais.
Ao determinar a suspensão, Nunes Marques considerou que a estrutura poderia funcionar como um mecanismo centralizado de disseminação em massa de conteúdos que já haviam sido considerados inverídicos pela Justiça Eleitoral. A medida prevê a retirada do canal do ar durante o período determinado na decisão.
A decisão judicial, portanto, foi fundamentada nas alegações de irregularidades eleitorais apresentadas pela campanha adversária e na avaliação do ministro sobre o funcionamento do canal.
Decisão ocorreu após determinação de esclarecimentos
No sábado (10), o corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, havia determinado que Flávio Bolsonaro apresentasse informações complementares em 72 horas antes da análise de determinados pedidos liminares relacionados à ação contra Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin e André Janones.
O corregedor solicitou esclarecimentos sobre a possível sobreposição com outros processos, a identificação das irregularidades atribuídas às publicações e a apresentação de arquivos digitais que fundamentariam as acusações. Também determinou a notificação dos investigados para apresentação de defesa.
A suspensão do canal foi determinada posteriormente por Nunes Marques, em decisão relacionada ao pedido de urgência apresentado pela campanha de Flávio Bolsonaro.
A existência da investigação e o recebimento da ação não significam, por si só, que todas as acusações tenham sido comprovadas. A apuração das condutas apontadas depende da análise dos elementos apresentados no processo e das manifestações dos envolvidos.
Disputa nas redes sociais ganha importância no segundo turno
O episódio amplia o embate entre as campanhas no ambiente digital, onde os dois lados buscam mobilizar apoiadores, ampliar o alcance de suas mensagens e influenciar o debate eleitoral.
O canal criado por Janones ganhou destaque pelo rápido crescimento no WhatsApp e pela capacidade de reunir milhões de pessoas em torno de conteúdos favoráveis a Lula. A campanha de Flávio Bolsonaro, por sua vez, acionou a Justiça Eleitoral alegando que a estrutura ultrapassava os limites da atuação política permitida durante a disputa.
Lula, ao reagir à suspensão, concentrou suas críticas na atuação da Corte Eleitoral e afirmou que pretende buscar uma resposta judicial para o que considera um tratamento desigual entre os grupos políticos.
A expectativa agora é de que a campanha petista e seus representantes jurídicos adotem medidas para contestar a decisão. Até o momento, a manifestação pública de Lula foi marcada pela defesa da mobilização digital de seus apoiadores e pela cobrança de equilíbrio na atuação da Justiça Eleitoral.
Fonte: Redes sociais