Política

ELEIÇÕES NA COLÔMBIA

Estados Unidos ou Cartéis: presidente da Colômbia denuncia tentativa de assassinato

Petro afirma que helicóptero em que viajava com os filhos foi alvo de ameaça e relata pressão de grupos do narcotráfico em meio a tensões políticas

Da Redação

Quarta - 11/02/2026 às 09:35



Foto: Brendan Smialowski /AFP O presidente da Colômbia, Gustavo Petro
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, afirmou nesta terça-feira (10) que escapou de uma tentativa de assassinato enquanto viajava de helicóptero com seus filhos. O episódio ocorre em meio ao avanço de ameaças atribuídas a cartéis do narcotráfico e a grupos armados ilegais, que, segundo o próprio presidente, estariam atuando diretamente contra seu governo. A declaração também acontece em um cenário de tensões diplomáticas com os Estados Unidos, marcado por críticas públicas e trocas de declarações entre Petro e o presidente norte-americano, Donald Trump.

Em uma reunião do com ministros transmitida ao vivo, Petro relatou que na noite de segunda-feira (9) seu helicóptero não pôde pousar no local planejado no departamento de Córdoba, na costa caribenha do país, e que nem mesmo as luzes da pista foram acesas.

Tenho que confessar que vou me mudar em dois dias, estou fugindo da morte. Foi por isso que não consegui chegar aqui ontem à noite; não consegui pousar onde deveríamos. Eles não acenderam as luzes (do heliporto). E também não pousei esta manhã, porque fiquei com medo de que atirassem no helicóptero, com meus filhos dentro.

Segundo Petro, diante dessa ameaça a aeronave acabou seguindo por quatro horas sobre o mar aberto, até chegar a um local diferente do planejado.

O presidente afirmou que, segundo o que vem sendo informado a ele há meses, organizações criminosas — entre elas narcotraficantes — teriam interesse em tirar sua vida. Também nesta terça-feira (10), o ministro da Defesa informou que a senadora indígena Aida Quilcué, aliada do presidente Gustavo Petro, foi sequestrada no departamento de Cauca junto com seus seguranças. Segundo as autoridades, ela foi libertada poucas horas depois. 

A Colômbia se prepara para eleições presidenciais dentro de três meses, em um cenário marcado pelo recrudescimento da violência atribuída a grupos guerrilheiros. Gustavo Petro, primeiro presidente de esquerda da história do país, já havia relatado em 2024 uma outra suposta tentativa de assassinato, que o levou a cancelar sua participação no desfile militar de 20 de julho daquele ano. O país carrega um histórico de assassinatos de lideranças de esquerda — incluindo candidatos à Presidência — em episódios associados a alianças entre traficantes, grupos paramilitares e setores do próprio Estado.

Foto: Juan Cano / Colombia Presidency / Public Domain – Gage Skidmore / CC BY-SA 2.0.

O episódio ocorre em um contexto de violência persistente na Colômbia e de um cenário político regional tenso, em que críticas de líderes latino-americanos às ações militares e políticas dos Estados Unidos na América do Sul, têm ampliado as divergências entre Bogotá e Washington. Em dezembro do ano passado, após uma série de embates públicos com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o norte-americano chegou a sugerir que, se certas condições não fossem atendidas, ações mais duras contra a Colômbia seriam consideradas — incluindo a possibilidade de medidas semelhantes às que foram usadas contra a Venezuela – Trump afirmou que Petro deveria “se conscientizar” e declarou que ele poderia ser “o próximo alvo em breve”, acrescentando que espera que o colombiano esteja ouvindo o recado.

Até o momento, as autoridades colombianas não divulgaram oficialmente nomes, grupos ou provas públicas que confirmem a autoria de um plano de assassinato, e detalhes sobre quem estaria por trás das supostas ameaças permanecem sem confirmação.

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