COVID-19

Em meio a Pandemia, gestores da Petrobrás aplicam suspensão em profissional da saúde

No documento a empresa informa que o petroleiro está sendo punido com suspensão de 14 dias a contar do último dia 20 de março


Petroleiros

Petroleiros Foto: sindiquimicapr.org.br

Em meio ao caos do coronavírus, no momento crítico em que o país e o mundo vivem, a Petrobrás resolve punir um profissional da área de saúde de uma das plataformas abrangidas pelo Litoral Paulista. O trabalhador recebeu, nesta quarta-feira (26), via correio, uma Comunicação de Aplicação de Medida Disciplinar.

No documento a empresa informa que o petroleiro está sendo punido com suspensão de 14 dias a contar do último dia 20 de março. A justificativa para tamanha perversidade é que houve insubordinação. Para atual gestão da empresa quem tem raciocínio crítico e expõe sua opinião frente aos gestores é insubordinado.

Tal atitude é uma clara perseguição a quem participou ativamente da paralisação nacional, que mobilizou cerca de 20 mil trabalhadores em todo o país, e por ter sido o único profissional da saúde da UN-BS a cruzar os braços. A medida também descumpre o acordo de encerramento de greve fechado na mediação com o TST.

O petroleiro foi pego de surpresa já que trabalhou até o dia 19 de março e em nenhum momento foi informado sobre a punição. Como existem pouquíssimos profissionais de saúde nas plataformas, ele já estava escalado para trabalhar no início do mês que vem no hotel, aonde os petroleiros estão em quarentena, dando apoio na contingência para avaliar os trabalhadores que iriam embarcar. A responsável técnica do petroleiro enviou no dia 23 de março um e-mail notificando que ele iria viajar no dia 2 de abril, retornando ao trabalho antes do final da folga de 14 dias. O que demonstra que o “gancho” veio do alto escalão.

A medida de retirar um técnico de enfermagem da plataforma é inconsequentemente e em um momento tão grave, onde os embarcados estão sobrecarregados pela escala imposta pela empresa (28/14) e pela escassez de profissionais da saúde que se alternam entre embarques e apoio nos hotéis, para atuarem preventivamente no cuidado dos trabalhadores que irão embarcar para manterem a produção nas plataformas da Petrobrás.

Esses mesmos profissionais também se desdobram entre jornadas exaustivas com atendimentos e rotinas de fiscalizações sanitárias o que os afasta do convívio dos familiares.

Até quando a Petrobrás irá agir desta forma? O técnico de enfermagem não foi o único a receber a notificação. Trabalhadores de outras áreas também foram punidos e até demitidos arbitrariamente, por terem participado pacificamente da greve nacional, em defesa do cumprimento do ACT e manutenção de empregos e direitos outrora adquiridos.

A gestão da Petrobrás fragiliza psicologicamente toda a força de trabalho, suas famílias e toda a categoria, que se vê ferida em sua estima e valor. O Sindipetro-LP não irá permitir que essa conduta grotesca se perpetue dentro do Sistema Petrobrás. A diretoria do Sindicato, mesmo em quarentena, tem cobrado exaustivamente o RH da empresa sobre esses absurdos que os gestores vêm cometendo e não irá sossegar até que o as punições sejam revertidas.

Fonte: Ascom FNP

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