Política

CORRUPÇÃO

Bolsonaro recebeu doações de mortos nas eleições de 2022, mas TSE aprovou as contas

Apesar das irregularidades apontadas, a área técnica recomendou a aprovação das contas com ressalvas

Da Redação

Quarta - 11/02/2026 às 19:08



Foto: Redes sociais Bolsonaro recebeu doação até de mortos, diz TSE
Bolsonaro recebeu doação até de mortos, diz TSE

Relatório da área técnica do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aponta que a campanha do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em 2022 recebeu doações registradas em CPFs de pessoas já falecidas, os chamados “doadores fantasmas”. O documento foi encaminhado ao ministro Antonio Carlos Ferreira, relator da prestação de contas da chapa formada por Bolsonaro e o general Walter Souza Braga Netto.

Segundo Manoela Alcântara, do Metrópoles, analistas do TSE avaliam que R$ 94 mil devem ser recolhidos ao Tesouro Nacional em razão de irregularidades identificadas nas receitas eleitorais. Parte dessas inconsistências envolve o valor de R$ 6.476,99, dos quais R$ 6.132,00 teriam sido doados por meio de um único CPF vinculado a Damião de Araújo Silva, cuja situação cadastral consta como “cancelada por óbito sem espólio” desde 2018.

As contribuições atribuídas a Damião ocorreram nos sete dias após o primeiro turno das eleições de 2022. Foram cinco doações de R$ 1.022,00 cada, número que remete ao 22 do Partido Liberal (PL), legenda de Bolsonaro. Ao apurar o caso, os analistas buscaram familiares do falecido e receberam do filho a informação de que os valores teriam sido retirados do patrimônio do espólio como homenagem ao pai, supostamente apoiador do ex-presidente.

No entanto, conforme consta nos dados analisados, Damião, natural do Amapá, não chegou a votar nas eleições de 2018, pois morreu meses antes do pleito. Naquele ano, Bolsonaro utilizava o número 17 nas urnas. A família foi novamente procurada, mas não houve retorno.

O relatório também menciona outro conjunto de inconsistências envolvendo R$ 344,99 provenientes de 15 doadores registrados como mortos antes das datas das contribuições. Os depósitos teriam ocorrido entre setembro e outubro de 2022, segundo monitoramento do TSE.

Apesar das irregularidades apontadas, a área técnica recomendou a aprovação das contas com ressalvas. A decisão final caberá ao ministro Antonio Carlos Ferreira, que ainda não marcou data para julgamento da prestação de contas.

Segundo os dados oficiais, a campanha presidencial de Bolsonaro arrecadou R$ 126,1 milhões em 2022. Tanto o ex-presidente quanto Braga Netto estão presos em decorrência de investigações e condenações relacionadas à tentativa de golpe de Estado após julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF).

Fonte: DCM

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