ELEIÇÕES E ELEITORES IDOSOS
Teresinha Ferreira
15 de julho de 2026 às 00:43 ▪ Atualizado há 1 hora
Dos 158 milhões de brasileiros aptos a votar em outubro, 23% têm mais de 60 anos, formando o maior eleitorado idoso já registrado no país. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indicam que o número de idosos com título ativo cresceu cerca de 74% desde 2010, totalizando mais de 36,8 milhões de pessoas.
Segundo a doutora em Ciência Política Mayra Goulart, esse grupo é decisivo nas eleições por priorizar temas como saúde pública, previdência e custo de vida, que também impactam suas famílias. Goulart aponta que, apesar das tendências conservadoras percebidas, eleitores idosos avaliam políticas públicas independentemente da esfera política específica.
Para eleitores com mais de 70 anos, cujo voto é opcional desde a Constituição de 1988, a ausência na votação não gera penalizações. Entretanto, na última eleição, cerca de 60% desse grupo se absteve, com 8 milhões dentre 25 milhões de abstenções totais em 2022 sendo idosos. As barreiras ao comparecimento incluem mobilidade reduzida e problemas de saúde.
Antonieta da Silva Campos, de 96 anos, é um exemplo de eleitor engajado. Ela participa ativamente desde sua primeira eleição na década de 1950 e valoriza candidatos pela honestidade e feitos. A presença feminina também se destaca: mulheres representam 54% das pessoas entre 60 e 69 anos, subindo para 67,4% acima de 90 anos, conforme o Censo de 2022.
A cientista política sugere que aumentar conteúdos direcionados aos idosos, com formatos e linguagens apropriados, pode reduzir a abstenção. A mobilização deve considerar as barreiras enfrentadas por esse grupo para garantir maior participação nas eleições.
*Estagiária sob supervisão da jornalista Mariana Tokarnia.
Fonte: Agência Brasil
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