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Técnica de enfermagem que tentou raptar bebê da Evangelina Rosa está em liberdade

Acusada de tentar sequestrar recém-nascida na Nova Maternidade Evangelina Rosa teve liberdade concedida pela Justiça. Defesa alega que ela sofre de esquizofrenia

Da Redação

29 de julho de 2026 às 19:17 ▪ Atualizado há 1 hora


Reprodução Técnica de enfermagem Auricélia Sousa Rocha
Técnica de enfermagem Auricélia Sousa Rocha

A técnica em enfermagem Auricelia Sousa Rocha, acusada de tentar raptar uma recém-nascida na Nova Maternidade Dona Evangelina Rosa, em Teresina (PI), foi colocada em liberdade nesta quarta-feira (29). A decisão judicial atendeu ao pedido da defesa, que apresentou laudos médicos comprovando que a suspeita foi diagnosticada com esquizofrenia e sofre de transtorno psicológico agudo.

O caso, que chocou o Piauí, ocorreu no início da tarde do dia 6 de julho. A suspeita, de 43 anos, é contratada como CLT por uma empresa que presta serviços à maternidade. Ela está grávida e mora na região da Cacimba Velha, na Zona Rural Leste de Teresina.

A tentativa de sequestro

De acordo com as investigações da Polícia Civil, Auricelia entrou na maternidade mesmo estando de folga e usando o uniforme da unidade . Ela se passou por profissional do hospital para ganhar a confiança da família da bebê e informou que levaria a criança para realizar exames, como o teste do pezinho e o teste da orelhinha .

Segundo relato da tia do bebê, Daniela Beatriz, a suspeita colocou a recém-nascida dentro de uma bolsa semiaberta e trocou de roupa dentro da maternidade para tentar deixar o local sem ser percebida . A ação foi interrompida quando Daniela desconfiou da situação, puxou a bolsa e encontrou a criança .

Os argumentos da defesa

A defesa de Auricelia Sousa Rocha apresentou à Justiça documentação médica oficial do Hospital Areolino de Abreu, que diagnosticou a técnica de enfermagem com Transtorno Psicótico Agudo Polimorfo com sintomas esquizofrênicos (CID F23.1) . Os advogados também anexaram documentos que comprovam tratamento psiquiátrico e uso de medicação controlada.

Em nota, a defesa afirmou que "a análise do inquérito evidencia que a apuração ainda demanda uma apreciação equilibrada e completa de todo o conjunto probatório" e que "os autos passaram a contar com documentação médica oficial [...] circunstâncias que precisam ser analisadas em conjunto com as demais provas" .

O andamento do processo

Apesar da liberdade concedida, o processo criminal contra Auricelia continua em andamento. A Polícia Civil do Piauí já concluiu o inquérito e indiciou a suspeita por subtração de criança, crime previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) .

Durante as investigações, a polícia encontrou na residência da acusada "objetos e um ambiente preparado para receber uma criança, indicando possível planejamento prévio da ação" . A análise de registros eletrônicos e documentos médicos também apontou que a investigada fingia estar grávida havia vários meses, embora não estivesse gestante .

A Polícia Civil também investiga a possível participação de outras pessoas no crime. Há suspeitas de que um indivíduo estaria em um carro do lado de fora da maternidade aguardando para receber a criança e sumir, mas até o momento essa informação não foi confirmada.

A posição da maternidade

A direção da Nova Maternidade Dona Evangelina Rosa informou que os protocolos de segurança funcionaram corretamente e impediram que a tentativa de retirada irregular fosse consumada . A unidade destacou que colabora integralmente com as investigações e disponibilizou imagens do circuito interno de monitoramento.

A família da recém-nascida, no entanto, contestou a versão apresentada pelo governo estadual e cobrou explicações sobre como uma funcionária conseguiu avançar com a tentativa de retirar a criança das dependências da maternidade . A tia do bebê afirmou que a tragédia só foi evitada graças à intervenção dos próprios parentes .

Próximos passos

A defesa de Auricelia afirma que continuará adotando "todas as medidas legais cabíveis para que todo o conjunto probatório seja considerado, e não apenas os elementos que reforçam uma única hipótese investigativa" . A responsabilidade penal da acusada, considerando sua condição de saúde mental, será apreciada pelo Poder Judiciário, que poderá determinar a realização de perícia oficial .

O caso continua sendo acompanhado pelas autoridades e pela opinião pública, enquanto a família da bebê aguarda o desfecho das investigações.

Fonte: TK/PI