Polícia

GOLPE DA COVID-19

Servidora da FMS acusada do "Golpe da Covid-19" é sócia de empresa investigada pela PF

Duas empresas estão sendo investigadas por fraudar contratos emergenciais junto à FMS

Alinny Maria

02 de setembro de 2020 às 10:48


Annelis Sobral, odontóloga da FMS e dona da Fermaq
Annelis Sobral, odontóloga da FMS e dona da Fermaq

Uma das pessoas investigadas na Operação Caligo, da Polícia Federal, é dentista Annelis Sobral da Costa Batista Sampaio, servidora da Fundação Municipal de Saúde (FMS), órgão ligado à Prefeitura de Teresina. Ela é sócia da Fermaq,  uma das empresas investigadas pela PF.

A delegada Mariana Paranhos Calderón, superintendente da Polícia Federal e o superintendente da Controladoria Geral da União (AGU) no Piauí, Glauco Soares Ferreira, reuniram a imprensa na manhã desta quarta-feira (02), para falar sobre a Operação Caligo.

A operação foi deflagrada pela Polícia Federal no início da manhã para apurar fraude na compra de testes da Covid-19 e equipamentos hospitalares pela Fundação Municipal de Saúde (FMS), órgão da Prefeitura de Teresina, desde o início da pandemia. 

Segundo a delegada, os investigadores constataram divergências entre a quantidade comprada pela FMS e a fornecida pelas empresas, o que resultou num lucro de aproximadamente R$ 4,5 milhões para os donos das empresas envolvidas.

As empresas Distrimed, situada na avenida Odilon Araújo, no bairro Piçarra, e Fermaq, localizada na avenida Miguel Rosa, estão sendo investigadas por superfaturamento no fornecimento Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), kits testes para coronavírus, insumos e equipamentos hospitalares. 

As investigações apontaram que uma servidora da FMS, que não teve o nome revelado, é sócia de uma das empresas investigadas. Ela é suspeita de fraudar a cotação de preços apresentada na formalização dos contratos. A cotação de preços usados era de produtos diferentes dos que foram entregues à FMS. 

A PF e a AGU constataram, por exemplo, que a máscara comprada pela FMS era de uma marca com o valor superior a marca da máscara que foi entregue pela empresa.

"Uma das empresas investigadas pertence a uma sócia que tem vínculo empregatício com a Fundação Municipal de Saúde. Apresentaram a cotação de um produto diferente do que  foi adquirido pela Fundação", disse o superintendente da CGU, Glauco Soares.

Segundo a superintendente regional da PF, Mariana Calderon, a investigação partiu de um grupo de trabalho que foi designado a analisar os contratos entre as prefeituras e empresas durante o período da pandemia. 

"Neste primeiro momento, a investigação tem como objetivo identificar o superfaturamento em processos de licença de licitação para compra de equipamentos para enfrentamento da Covid-19. Houve um valor empenhado de R$ 17 milhões e o lucro bruto dessas empresas chegaram em R$ 4 milhões. Calculamos 419% de superfaturamento”, disse Calderon.

A Fundação Municipal de Saúde não se pronunciou sobre o caso até o momento. As duas empresas investigadas também não prestaram esclarecimentos à imprensa. 



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