Polícia

AGRESSÃO A CADEIRANTE

Pai é flagrado agredindo filho cadeirante com vários socos

Jovem ficou paraplégico após acidente de motocicleta em Parnaíba e acusa o pai de negligenciar procedimento médico; caso ocorreu em João Pessoa

Teesinha Ferreira

31 de julho de 2026 às 06:32 ▪ Atualizado há 38 minutos

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  • Um jovem cadeirante foi agredido pelo pai no estacionamento de um condomínio em João Pessoa, Paraíba.
  • A vítima ficou paraplégica após um acidente de moto quatro meses antes e estava em recuperação na casa do pai.
  • O pai se irritou após um vazamento urinário do filho no carro, ocorrendo a agressão.
  • Câmeras de segurança registraram o incidente e as imagens geraram revolta nas redes sociais.
  • A Polícia Civil investiga o caso, que pode ser enquadrado como lesão corporal ou tortura.
  • O pai, um suboficial da Marinha na reserva, prestou depoimento e foi liberado por não ter sido preso em flagrante.
  • O jovem morava com a mãe em Parnaíba antes do acidente.

Imagens de câmeras de segurança Pai agride filho cadeirante com vários socos em estacionamento de um condomínio na Paraíba
Pai agride filho cadeirante com vários socos em estacionamento de um condomínio na Paraíba

Um jovem cadeirante foi agredido com vários socos pelo próprio pai no estacionamento de um condomínio localizado no bairro do Bessa, em João Pessoa, na Paraíba. A violência aconteceu por volta de 1h da madrugada de quarta-feira (29) e foi registrada pelas câmeras de segurança do residencial.

A vítima ficou paraplégica há cerca de quatro meses, após sofrer um acidente de motocicleta em Parnaíba, no litoral do Piauí. Desde então, o jovem havia deixado a residência da mãe e passado a morar com o pai na capital paraibana durante o período de recuperação e reabilitação.

As imagens das agressões circularam nas redes sociais e provocaram revolta. A Polícia Civil da Paraíba instaurou um procedimento para investigar o caso. Dependendo das provas reunidas durante o inquérito, o pai poderá responder por tortura ou lesão corporal no contexto de violência doméstica.


Jovem precisava realizar sondagem urinária

Em depoimento prestado à Polícia Civil, a vítima contou que saiu com o pai para um passeio pela orla de João Pessoa na tarde de terça-feira (28). Por volta das 17h40, pediu que eles retornassem ao apartamento para que pudesse realizar uma sondagem urinária.

O procedimento é utilizado por pacientes que apresentam dificuldade para esvaziar a bexiga e precisa ser feito em horários determinados para evitar vazamentos, infecções e outras complicações.

Segundo o relato do jovem, o pai teria recusado o pedido e seguido para um restaurante, onde consumiu vinho. Depois, os dois foram a uma loja de conveniência, onde o homem teria continuado ingerindo bebidas alcoólicas.

Pai e filho somente retornaram ao condomínio por volta de 1h da madrugada. Durante esse período, a vítima não conseguiu realizar o procedimento médico e teve um vazamento involuntário de urina, que molhou o banco do veículo.

Câmeras registraram sequência de socos

Conforme o depoimento, o pai ficou irritado ao perceber que o banco do automóvel estava molhado. Ele teria começado a insultar o filho e, logo depois, desferido uma sequência de socos contra o jovem, que permanecia sentado na cadeira de rodas.

A agressão ocorreu no estacionamento e foi registrada pelo circuito interno de segurança do condomínio. As gravações foram entregues às autoridades e passaram a integrar a investigação.

A vítima também declarou aos investigadores que a convivência com o pai era difícil, descrevendo-o como uma pessoa truculenta e pouco aberta a contrariedades. As afirmações ainda serão apuradas pela Polícia Civil.

Pai foi ouvido e liberado

Após a divulgação das imagens, o investigado, identificado pelas autoridades como suboficial da reserva da Marinha, compareceu à Central de Polícia Civil, no bairro do Geisel. Ele prestou depoimento e foi liberado.

A polícia explicou que não houve prisão em flagrante porque o homem foi apresentado aproximadamente 11 horas depois da agressão, sem que tivesse ocorrido perseguição ou busca contínua desde o momento do crime. O boletim de ocorrência foi registrado e o procedimento encaminhado à delegacia responsável pela investigação.

Caso pode ser enquadrado como tortura

A Polícia Civil ainda não definiu o enquadramento penal. O delegado responsável deverá analisar os depoimentos, as imagens de segurança, eventuais laudos médicos e as circunstâncias em que a vítima, uma pessoa com deficiência e dependente de cuidados, foi agredida.

O caso poderá ser investigado como lesão corporal no ambiente doméstico ou tortura. A definição dependerá da finalidade das agressões e das provas reunidas durante o inquérito, conforme informou a polícia ao Jornal da Paraíba.

Embora o nome do suspeito tenha circulado em algumas publicações, ele é tratado nesta matéria como investigado, pois não houve condenação e a apuração policial ainda está em andamento.

Vítima sofreu acidente no Piauí

O caso possui ligação direta com o Piauí. De acordo com o depoimento divulgado pelo SBT News, o jovem morava com a mãe em Parnaíba e ficou paraplégico após um acidente de motocicleta ocorrido há aproximadamente quatro meses.

Durante a recuperação, mudou-se para João Pessoa para receber os cuidados do pai. Após as agressões, a mãe do jovem também se manifestou sobre o caso, e a situação familiar deverá ser acompanhada pelas autoridades.

Denúncias de violência contra pessoas com deficiência podem ser feitas pelo Disque 100. Em situações de emergência, a orientação é acionar imediatamente a Polícia Militar pelo telefone 190.