Polícia

JUSTIÇA

​Empresário é condenado a 43 anos de prisão por matar policial civil do Piauí em operação

Marcelo Soares da Costa atuava no Draco e foi baleado por Bruno Manoel durante diligências da Operação Turismo Criminoso, no Maranhão

Da Redação

Sexta - 13/03/2026 às 08:47



Foto: Reprodução Bruno Manoel Gomes Arcanjo (à esquerda) e Marcelo Soares da Costa (à direita)
Bruno Manoel Gomes Arcanjo (à esquerda) e Marcelo Soares da Costa (à direita)

O empresário Bruno Manoel Gomes Arcanjo foi condenado a 43 anos e seis meses de prisão pelo homicídio qualificado do policial civil piauiense Marcelo Soares da Costa, de 42 anos. A sentença também inclui a tentativa de homicídio contra três outros policiais civis, entre eles o delegado Laércio Evangelista, atual coordenador do Departamento de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco).

O julgamento ocorreu nessa quinta-feira (12) no Fórum da Comarca de Santa Luzia do Paruá, município onde o crime aconteceu. A decisão foi proferida pela juíza Leoneide Delfina Barros Amorim, após análise das provas reunidas durante o processo.

Crime ocorreu durante operação policial

O assassinato aconteceu em 3 de setembro de 2024, durante o cumprimento de mandados judiciais da Operação Turismo Criminoso, conduzida por policiais do Departamento de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco).

A investigação apurava um esquema de fraudes envolvendo o Departamento de Trânsito do Piauí (Detran-PI). Bruno Arcanjo era um dos alvos da operação, suspeito de participação em crimes de estelionato ligados à criação fictícia de veículos para obtenção de financiamentos bancários.

Segundo o inquérito policial, a equipe chegou à residência do empresário em Santa Luzia do Paruá para cumprir mandados judiciais. Após se identificar, os agentes arrombaram o portão de entrada do imóvel.

Durante a ação, o policial Marcelo Soares e outro agente se dirigiram aos fundos da casa, onde havia dois cadeados impedindo o acesso a outra área da residência. O primeiro foi quebrado, mas o segundo apresentou maior resistência.

Enquanto tentava alcançar o cadeado, Marcelo precisou colocar o braço por dentro da grade. Nesse momento, disparos foram efetuados de dentro da casa. Um dos tiros atingiu o policial na lateral do tórax, em uma região que não estava protegida pelo colete balístico.

O policial foi imediatamente socorrido pelos colegas e levado para um hospital da cidade maranhense, mas não resistiu aos ferimentos.

Outros policiais também foram alvo dos disparos

Durante o ataque, o delegado Laércio Evangelista e mais dois policiais civis identificados apenas como João e Egídio também foram alvos dos tiros disparados pelo empresário. Nenhum deles foi atingido.

Após o confronto, Bruno Arcanjo se rendeu e foi preso em flagrante. Em depoimento, ele admitiu ter efetuado os disparos, mas alegou que não sabia que se tratava de policiais e afirmou ter acreditado que estava reagindo a uma invasão domiciliar.

A defesa pediu à Justiça a absolvição sumária ou a desclassificação do crime para homicídio culposo, quando não há intenção de matar. No entanto, os argumentos não foram aceitos pelo Judiciário.

Investigação aponta esquema milionário de fraude

Durante as investigações da Operação Turismo Criminoso, a polícia identificou um esquema envolvendo a criação fictícia de veículos por meio da emissão irregular de documentos de licenciamento.

Esses automóveis não existiam fisicamente, mas eram registrados no sistema e utilizados para obter financiamentos em instituições financeiras, gerando lucro ilícito aos envolvidos.

De acordo com a investigação, Bruno Arcanjo, natural de Alagoas, atuava no esquema ao lado de outras pessoas, incluindo um primo de Pernambuco, um piauiense e funcionários ligados ao Detran.

A fraude foi descoberta após bancos identificarem inconsistências nas operações financeiras e acionarem a polícia. Em um dos casos investigados, uma instituição financeira sofreu prejuízo superior a R$ 1,6 milhão.

Bruno atuava como empresário no ramo hortifrutigranjeiro em Santa Luzia do Paruá e também já possuía passagens policiais no Piauí.

Policial Marcelo Soares

Marcelo Soares da Costa tinha 42 anos e era considerado um policial experiente da Polícia Civil do Piauí. Integrante da equipe do Draco, ele participou de diversas operações de combate ao crime organizado no estado.

Além da atuação operacional, Marcelo também foi instrutor da Academia de Polícia, contribuindo para a formação de novos agentes.  O policial deixou esposa e uma filha de 4 anos. Após o crime, o corpo foi transportado para Teresina em uma aeronave oficial

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