GOLPE MILIONÁRIO
Laisa Mendes
25 de junho de 2025 às 18:01
Ricardo Coutinho, proprietário da R. Coutinho Imobiliária, foi preso na tarde desta terça-feira (24), em Teresina, suspeito de aplicar golpes financeiros em clientes, com prejuízos que somam cerca de R$ 3 milhões. Pelo menos dez vítimas já prestaram depoimento à polícia. Os relatos apontam um esquema envolvendo falsificação de contratos, recebimentos indevidos e promessas não cumpridas de venda de imóveis.
Um dos casos foi relatado por Lorin Honda, que afirmou ao portal Piauí Hoje ter sido enganado ao tentar vender o ágil de sua casa, localizada no Residencial Reserva do Leste 2. Ricardo teria se apresentado como intermediador na negociação entre Lorin e uma compradora chamada Sara.
“Ela entrou em contato com ele, e o corretor que estava comigo informou que a casa seria vendida por R$ 50 mil, a ser pago parcelado: duas parcelas de R$ 15 mil, uma de R$ 10 mil e uma de R$ 5 mil. Na primeira parcela já teve enrolação para pagar. Ele fez dois contratos. O que ele entregou para ela era com valor de R$ 30 mil, e ela ia ficar pagando mil reais por mês”, explicou Lorin.
O acordo envolvia ainda outro imóvel de Sara, que Ricardo prometeu vender para quitar o pagamento de Lorin, o que não ocorreu. “Depois de 30 dias, a Sarah me procurou achando que eu tinha entregado a casa sem receber. Mas eu nunca tinha recebido nada. Ela disse que já tinha pago R$ 15 mil a ele. Foi quando ele me repassou esse valor. A segunda parcela, que já deveria ter sido paga, nunca chegou. Ele simplesmente desapareceu e parou de me responder. No fim, eu fui lesado em mais de R$ 35 mil, e ela também perdeu dinheiro”, completou.
A vítima agora tenta um acordo direto com Sara para resolver a situação judicialmente, já que ambos foram prejudicados pela intermediação do corretor. Lorin informou que realizará o Boletim de Ocorrência (BO), na noite desta quarta-feira (25).

Outro relato foi feito pela Rayane Oliveira, que compartilhou sua experiência nas redes sociais. Segundo ela, em 2022 adquiriu um imóvel com Ricardo Coutinho, mas insatisfeita com a localização, solicitou a troca da unidade. Ricardo prometeu a substituição, mas exigiu um Pix de R$ 16.500.
“A única casa que eu tinha, outra pessoa comprou e está morando. Fui até uma construtora e descobri que o novo imóvel não estava no meu nome, ele sequer existia pra mim. O contrato que eu recebi era falso, com assinaturas falsificadas do dono da construtora e de outra pessoa”, afirmou.
Rayane revelou ainda que outras pessoas próximas também foram vítimas após ela indicar o corretor. “Uma amiga minha comprou um apartamento com ele, fazia os pagamentos diretamente para a conta dele. Quando fomos conferir, o imóvel estava no nome de outra pessoa, quase quitado. O contrato dela também era falso”, disse.
A vítima conta que tentou marcar uma reunião com Ricardo, que dizia estar viajando para Fortaleza, mas ele não apareceu. “Marcamos para 15h, mas ele já estava preso. Só então percebemos o tamanho do golpe”, finalizou.
O Conselho Regional de Corretores de Imóveis (CRECI-PI), informou ao Portal Piauí Hoje que a coordenadoria de fiscalização tem mantido contato com as autoridades da Polícia Civil do Piauí e que está prestando todo apoio.
“O caso está sendo apurado para aplicação da devida penalidade e, consequentemente, para prestar essa informação pública”, informou.
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