Corregedoria inicia processo contra PM acusado de homicídio

Mãe, pai, irmã e noiva da vítima serão ouvidos na próxima quarta-feira (10)


Ivaldo Vieira é acusado de matar Cosme e ferir Luciana

Ivaldo Vieira é acusado de matar Cosme e ferir Luciana Foto: Reprodução

A Corregedoria de Polícia Militar do Piauí vai ouvir a família do adolescente Cosme Damião dos Santos Neto, morto a tiros pelo soldado da PM Ivaldo Vieira da Silva Filho, na noite do dia 10 de outubro de 2017, no bairro Renascença, na região do Grande Dirceu, em Teresina. O depoimento vai acontece na quarta-feira (10), às 8h, na sala da Assessoria Militar na 3º Companhia do Batalhão de Polícia MIlitar, no Palácio da Justiça, no bairro Cabral em Teresina.

Serão ouvidos a mãe da vítima, Luciana Campelo, que foi baleada na barriga e perdeu parte do intestino; o pai, José Maria Campelo; a irmã, Joseana Campelo, e Fernanda Borges, noiva de Cosme na época do crime. "No depoimento dele no Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa, o criminoso que matou meu filho disse que Cosme tentou assaltado três vezes. Agora, no depoimento dele na PM, ele disse que não conhecia o cidadão Cosme Neto, que nunca veio aqui no Renascença ll e não  conhece a zona Sudeste. Ele ficou calado quando foram exibidas as imagens das câmeras de segurança", lembrou a mãe do rapaz executado.

"A estação radio base informou a localização do celular dele. Esse ERB que eu estava tentando me lembrar.  Foi o que mais demorou a chegar no DHPP, que denunciou a presença dele na porta de minha casa na hora do homicídio. O delegado Bareta e sua equipe não brincar, não. Foram atrás da localização da anterna do celular dele. E acabaram derrubando toda a história que ele inventou", afirmou a mãe do rapaz morto. 

Depoimento

No dia 12 de março, houve o julgamento do soldado da Polícia Militar do Piauí, Ivaldo Vieira da Silva Filho, acusado de matar Cosme Damião dos Santos Neto, a tiros, e balear a mãe do adolescente, Luciana Santos, em outubro de 2017, no Renascença.

A mãe do rapaz precisa de ajuda para fazer uma tomografia da mama, atingida pelo disparo. O exame é caro, custa mais de R$ 1.100,00. Ela está com um tumor e pode ter que fazer a retirada do mama.

Luciana Santos teve que passar por várias cirurgias, porque o tiro atingiu o intestino. Ele teve que usar uma bolsa de colostomia, que já foi retirada.

Dona Luciana pede justiça. “Ele precisa pagar pelo crime que cometeu. Ele matou meu filho e tentou me matar. Tem que ir para um presídio comum, porque essa de prisão em quartel, presídio militar é mordomia. Lá ele está passando é bem, parece um hotel. Ele tem que ser condenado, perder a farda e ir para a cadeia, que é lugar de bandido”, diz Luciana Santos, em um áudio enviado à redação do portal PIAUIHOJE.

Entenda o caso

O caso do PM que matou o adolescente em 2017 ganhou repercussão porque o policial usava uma moto apreendida no pátio da Polícia Civil para fugir da cena do crime. Durante o assassinato, a mãe a vítima foi atingida por um tiro na barriga.

O policial militar Ivaldo Vieira da Silva Filho, foi preso no dia 10 de abril de 2018, depois de ser considerado foragido pela morte de Cosme Damião Santos, executado a tiros na porta de casa na noite do dia 10 de outubro de 2017, no bairro Renascença, na região do Grande Dirceu, em Teresina.

O acusado de homicídio e tentativa de homicídio contra a mãe de Cosme, Luciana Santos, foi solto dois dias depois da prisão, pelo juiz Luiz Moura, da Central de Inquéritos. A família de Cosme ficou revoltada e recorreu da decisão.

Ivaldo Filho, o "Tiquim", foi preso ao se apresentar com um advogado no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). O acusado passou menos de dois dias na cadeia. Os policiais do DHPP também não esconderam a indignação com a decisão da Justiça.

Outro motivo de reclamação dos delegados e policiais civis que investigaram o caso foi a demora da Corregedoria da Polícia Militar de adotar os procedimentos cabíveis para denúncia do acusado.

Fonte: TJ-PI

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