CORONAVÍRUS

Velório é interrompido em Barras pela Saúde municipal para investigar morte por Covid

A família e amigos do morto ficaram revoltados com a situação, pois quando ele estava no hospital não foi solicitado o exame


Velório é interrompido para coleta de exame da Covid-19

Velório é interrompido para coleta de exame da Covid-19 Foto: Print do vídeo

O velório do conselheiro municipal de Saúde de Barras, Genival dos Santos, teve que ser interrompido na manhã deste domingo (17) para que fosse realizada a coleta do material biológico para a realização do exame de Covid-19. Genival faleceu por volta das 7h de hoje no Hospital Leônidas Melo, em Barras. 

A vítima era portadora de diabetes e no hospital atestaram que ele morreu em decorrência dessa doença. Portanto, a família de Genival foi informada durante o velório que os níveis da taxa de glicemia não estava alterada suficientemente para provocar a morte do Genival e por isso era necessário fazer a coleta para o exame que detecta o coronavírus.

O vereador José Carcará, amigo do conselheiro, acompanhou o caso e disse que quando o corpo ainda estava no hospital foi, a profissional disse que não havia necessidade de coletar amostra para o exame porque Genival havia morrido em decorrência da diabetes. Então, o corpo foi removido do hospital e levado para ser velado na capela do bairro Corujal.

O vereador disse que o velório aconteceria rapidamente, conforme orienta a Vigilância Sanitária do Estado. No entanto, durante o velório o hospital telefonou para pedir que não realizassem o sepultamento porque uma profissional seria deslocada até o local para coletar a amostra para o exame. Somente  após duas horas é que chegou uma técnica da secretaria municipal de Saúde para realizar a coleta, situação que causou revolta nas pessoas presentes.

“Estávamos velando durante o tempo da abertura da cova, mas quando íamos sair para o enterro fomos surpreendidos com a informação que tínhamos que esperar. Esperamos mais duas horas”, disse um dos participantes do velório.

No atestado de óbito consta, entre outras causas, insuficiência respiratória, mas atribuída ao diabetes.  “O que eu soube é que decidiram fazer o teste para coronavírus após identificarem que as taxas de glicemia apresentadas no exame de diabetes não estavam suficientemente alteradas para provocar a morte do Genival. Se isso for realmente verdade e se ele estiver positivo para coronavírus, a negligência do hospital colocou todo mundo que está ou esteve aqui em risco. Que situação!”, reclama Carcará.

Essa situação desobedece a Resolução 003/2020 da Unidade de Vigilância Sanitária Estadual, que regulamenta procedimentos de velórios e enterros. A Resolução recomenda que, em tempo de pandemia, o enterro deva ser o mais breve possível.

Veja o vídeo:

OUTRO LADO

O Piauíhoje.com conversou com Laianne Santos, diretora do Hospital Leônidas Melo. Ela esclareceu que em nenhum momento o hospital solicitou exame de Covid-19 para a vítima porque Genival Santos deu entrada na unidade com hipoglicemia e não com sintomas respiratórios. "De acordo com protocolo do estado, não teria motivo para fazer o exame tendo em vista que ele nunca deu entrada no hospital por sintomas respiratórios e sim por diabetes descompensada", disse a diretora do hospital.

De acordo com o relato do médico plantonista que atendeu Genival, ele não apresentou nenhum sintoma de síndrome gripal. "Sem febre, sem tosse, sem coriza, sem garganta inflamada. Paciente diabético descompensado. Que não aderia ao tratamento, não fazia uso de medicação. Entrou em cetoacidose diabética e distúrbio hidreletrolítico,
Insuficiência respiratória, hipóxia e veio a óbito", aponta o relatório médico.

O Hospital Leônidas Melo divulgou uma nota de esclarecimento para informar que não solicitou exame de Covid-19 durante o velório do paciente. Segundo o Hospital, o exame foi solicitado pela Secretaria Municipal de Saúde de Barras.

Fonte: Com informações do Longah e Hospital Leônidas Melo

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