
A prefeita de Piripiri, Jôve Oliveira, anunciou o cancelamento do tradicional Corso PeryPery após recomendação do Ministério Público Estadual (MPPI). Em vídeo divulgado no perfil da Prefeitura de Piripiri no Instagram, nessa quarta-feira (26), a prefeita diz que embora a notificação tenha caráter recomendatório, a gestão municipal decidiu seguir as diretrizes e atender às preocupações levantadas pelo órgão.
"O documento é claro! Aqui nós não podemos, por exemplo, contratar o Caminhão do Hulk. Aqui nós não podemos também liberar o uso de paredões. Aqui nós não podemos chegar até a Tomás Rebelo. E nós não temos tempo hábil para mudarmos o formato do corso. Então, durante anos é esse formato que acontece nas avenidas. É o evento gigantesco que nós organizamos, a alegria do nosso povo, onde a gente também atrai os turistas para a nossa terra querida, onde a economia é aquecida, tem a participação dos barraqueiros... Mas essa notificação é recomendatória e nós vamos acatar exatamente essa recomendação, apoiar as preocupações do Ministério Público", declarou a prefeita.
O Corso PeryPery estava marcado para esta sexta-feira (28). A Notificação Recomendatória nº 09/2025-3ªPJ/MPPI, foi expedida por meio da 3ª Promotoria de Justiça de Piripiri e motivada por irregularidades e riscos ambientais e sociais, especialmente relacionados à poluição sonora excessiva.
"Um dos principais pontos levantados pelo MPPI foi a presença da atração “Caminhão do Hulk”, um mega paredão de som que, ao percorrer a cidade com volume elevado, desrespeitaria normas ambientais e de ordem pública. Além disso, a recomendação foi fundamentada por decisão judicial transitada em julgado em 2022, que proíbe o município de autorizar eventos com som automotivo sem licenciamento ambiental prévio ou com emissão de ruídos acima dos limites legais", informou o Ministério Público.
Antes da recomendação, o tema foi debatido em audiência realizada no dia 18 de fevereiro, ocasião em que o MPPI alertou a Prefeitura, sobre as ilegalidades do evento. O órgão ministerial já havia recebido inúmeras reclamações de moradores das áreas do percurso, incluindo idosos, enfermos, responsáveis por pessoas com sensibilidade auditiva, protetores de animais e unidades de saúde, acerca dos impactos negativos dos paredões de som em festividades anteriores.
O MPPI destacou que o corso de Piripiri vinha se distanciando de sua tradição original, cuja essência está nos concursos de fantasias, desfiles de carros alegóricos e demais manifestações culturais típicas do “Corso Carnavalesco”, transformando-se em um evento marcado pelo uso indiscriminado de paredões de som e pela consequente poluição sonora.