CORONAVÍRUS

Covid-19: Venda de antiparasitário dispara em farmácias de Picos

Não há evidências científicas de que a ivermectina cura a infecção pelo novo coronavírus


Ivermectina não cura a Covid-19

Ivermectina não cura a Covid-19 Foto: Reprodução

Moradores do município de Picos, no Sul do Piauí, correram para as farmácias em busca do antiparasitário Ivermectina. Isso porque circulou nas redes sociais que o medicamento cura a Covid-19. De acordo com o funcionário de uma farmácia do município, o medicamento desapareceu das prateleiras em 24 horas.

"Ontem recebemos 40 caixas do Ivermectina e hoje não temos mais nenhuma. Há reserva para quando a medicação chegar ao nosso estoque", disse o funcionário ao portal Riachaonet.com.

O REMÉDIO FUNCIONA CONTRA A COVID-19?

O que muitos picoenses não sabem é que não há evidências científicas de que a ivermectina, remédio contra vermes e parasitas, cure a infecção pelo novo coronavírus. A informação que foi compartilhada nas redes sociais em que uma mulher diz que após tomar o medicamento, ela estaria "bem melhor". No entanto, além de não haver pesquisas que comprovem a eficácia clínica do remédio contra a Covid-19, outros argumentos usados pela mulher para defender o seu uso, como o êxito no combate ao HIV, também são falsos.

Segundo o site SANAR-MED, que é uma empresa especializada em cursos para residência médica e publica artigos da área, pesquisadores da Austrália resolveram testar a substância Ivermectina contra o novo coronavírus. O estudo foi motivado pelo conhecimento da eficácia in vitro desta substância contra outros vírus. Após a publicação dos resultados, a notícia chegou de forma equivocada às redes sociais como uma promessa de cura, e rapidamente se espalhou. 

O Ivermectina é uma medicação para utilização como antiparasitário de amplo espectro. Nos últimos anos, mostrou ter atividade antiviral in vitro contra diversos vírus. Baseados nesse conhecimento, os pesquisadores resolveram testar a Ivermectina contra o novo coronavírus. Realizaram experimento onde os pesquisadores infectaram células com o SARS-CoV-2, e depois adicionaram a substância Ivermectina. Depois, analisaram pela técnica de RT-PCR a replicação do SARS-CoV-2 nas células que receberam a Ivermectina e compararam com a replicação do vírus naquelas que não receberam a substância. Em 24 horas, houve uma redução em 93% da replicação viral, quando comparada com amostras de controle. Após 48 horas, a redução foi de aproximadamente 5.000 vezes, demonstrando que o tratamento in vitro com Ivermectina conseguiu eliminar essencialmente todo material viral. Os pesquisadores também não identificaram toxicidade da Ivermectina em nenhuma das concentrações utilizadas.

Foi concluído então que a Ivermectina possui ação antiviral contra o SARS-CoV-2 IN VITROcom uma única dose sendo capaz de eliminar o vírus dentro de 24-48 horas. O estudo finaliza ressaltando que, apesar de ser um breve relatório de testes iniciais, uma possibilidade foi levantada de utilizar a Ivermectina como antiviral útil para limitar a replicação do SARS-CoV-2.

A pesquisa ainda carece de comprovação de benefício em ambiente clínico. Assim como outros medicamentos, a Ivermectina surge como uma promessa de sucesso, mas deve ser testada ainda em humanos. Os resultados encontrados in vitro não podem ser tomados como verdadeiros in vivo. Os testes in vitro encontram-se nos níveis mais básicos da pesquisa na área de saúde. Além disso, a Ivermectina também havia apresentado resultados semelhantes contra vírus como HIV, dengue, influenza e Zika Vírus, e nenhum destes se mostrou eficaz na prática clínica.

Fonte: Riachao.net

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