As delegações de Estados Unidos e Irã iniciam, neste sábado (11), em Islamabad, no Paquistão, aquela que está sendo chamada de a rodada de negociações mais decisiva das últimas décadas. Sob a mediação do primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, o encontro ocorre em um ambiente de "tudo ou nada". Enquanto diplomatas buscam uma saída para a guerra, o tom das lideranças oscila entre a abertura ao diálogo e a retórica de destruição total.
O governo americano chega à mesa com uma postura agressiva. O presidente Donald Trump afirmou recentemente que as forças navais estão prontas para agir caso a diplomacia falhe, mencionando o uso de armas de "nível superior" para uma aniquilação completa.
Por outro lado, o Irã, liderado nas conversas pelo presidente do parlamento, Mohammad-Bagher Ghalibaf, estabeleceu barreiras rígidas: exige o cessar-fogo imediato das ações de Israel no Líbano e a liberação de US$ 120 bilhões em ativos congelados para que o diálogo prospere.
Um dos pontos mais críticos da cúpula é a crise no Estreito de Ormuz. O Irã consolidou o domínio sobre a rota por onde passa grande parte do petróleo mundial, alegando "riscos de minas navais" para impor novas regras de soberania. A retenção de cerca de 20 mil marinheiros e as denúncias de cobrança de taxas de até US$ 2 milhões por navio enfureceram a Casa Branca. Trump classificou a conduta iraniana como "desonesta", sinalizando que o controle dessa via marítima será o primeiro grande teste de boa fé no encontro.
O "Fator Líbano" e o Eixo de Resistência
A operação de Israel contra o Hezbollah ameaça implodir as negociações antes do primeiro aperto de mãos. Teerã vê os ataques em Beirute como uma violação direta do cessar-fogo mediado pelo Paquistão, enquanto Washington e Tel Aviv sustentam que o Líbano nunca foi incluído no acordo de trégua de duas semanas. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, foi enfático ao afirmar que "o dedo permanece no gatilho", indicando que o Irã não sacrificará seus aliados regionais em troca de um acordo frágil.
O Dilema Nuclear e o Alívio de Sanções
O impasse mais antigo continua sendo o enriquecimento de urânio. Os EUA exigem o encerramento total das atividades nucleares em território iraniano, enquanto o Irã insiste no direito ao uso civil. Com a economia asfixiada por décadas de sanções, o regime islâmico vê no alívio econômico sua única tábua de salvação, mas o governo Trump dificilmente cederá recursos bilionários sem que o Irã abra mão de sua capacidade de "defesa avançada" e de seu programa nuclear.
Fonte: g1