FUGA DO BRASIL
Por Redação
28 de outubro de 2026 às 11:40 ▪ Atualizado há 52 minutos
O Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, ligado ao Partido Democrata, criticou a decisão do governo americano de conceder vistos ao senador Flávio Bolsonaro (PL) e a seus familiares. A manifestação foi publicada nas redes sociais nesta quarta-feira (28), após a chegada do parlamentar à Flórida.
Na publicação, o grupo questionou a diferença entre o tratamento previsto para o senador brasileiro e as políticas migratórias adotadas pelos Estados Unidos em relação a pessoas que tentam deixar regiões afetadas por conflitos armados.
“Nenhum asilo para pessoas fugindo da guerra no Sudão ou do conflito no Haiti, mas Rubio está estendendo o tapete vermelho para Bolsonaro. Aparentemente, fugir da violência não se qualifica. Negar os resultados eleitorais, sim”, afirmou o comitê.
Flávio Bolsonaro chegou a Miami nesta quarta-feira (28), acompanhado da esposa e das duas filhas. A viagem ocorreu depois de o senador deixar o Brasil e seguir para a Argentina, de onde embarcou em um avião particular com destino aos Estados Unidos, com escala no Equador.
Democratas questionam possível pedido de asilo
Além da manifestação do comitê, outros políticos democratas criticaram a possibilidade de acolhimento do senador brasileiro nos Estados Unidos.
Em publicação na rede social Threads, o candidato democrata Isaiah Martin chamou Flávio de “imigrante ilegal criminoso” e questionou os custos que, segundo ele, poderiam ser assumidos pelos contribuintes americanos para proteger a família Bolsonaro durante a permanência no país.
“Agora, o contribuinte americano vai arcar com os custos para proteger sua família criminosa e suas viagens de luxo pelo nosso país”, afirmou Martin.
O deputado democrata Joaquin Castro também se manifestou sobre o assunto. Ele questionou a possibilidade de Flávio obter asilo nos Estados Unidos e afirmou que a derrota eleitoral não justificaria esse tipo de pedido.
“Perder uma eleição não é motivo para pedir asilo”, escreveu Castro no Threads.
Na mesma publicação, o deputado disse que o governo do presidente Donald Trump deveria prestar esclarecimentos ao Congresso americano sobre a saída do senador brasileiro.
“O governo Trump deve explicações ao Congresso sobre seu papel em ajudar Bolsonaro a fugir do Brasil em desacordo com a legislação brasileira”.
Entenda a viagem de Flávio Bolsonaro aos EUA
A viagem ocorreu após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar, na noite de domingo (25), que Flávio Bolsonaro entregasse seus passaportes à Polícia Federal e ficasse impedido de deixar o país.
O senador saiu do Brasil na noite de terça-feira (27), cruzou a fronteira com a Argentina e embarcou em um jatinho particular. A aeronave fez uma escala em Guayaquil, no Equador, antes de seguir para Miami.
O governo argentino confirmou oficialmente a entrada do parlamentar e de seus familiares no país vizinho. Já o desembarque nos Estados Unidos foi registrado na manhã de quarta-feira.
Trump apoia ida do senador aos Estados Unidos
Na terça-feira (27), o Departamento de Estado americano informou que concederia vistos a Flávio Bolsonaro e a seus familiares, permitindo a entrada do grupo no país. Até a divulgação das informações utilizadas nesta reportagem, não havia confirmação de que os documentos já tinham sido emitidos.
Nesta quarta-feira (28), Trump afirmou que aprova a ida do senador aos Estados Unidos. Questionado por jornalistas, o presidente americano também voltou a criticar a eleição presidencial brasileira, realizada no domingo (25).
“Bem, eu aprovaria. Acho que eles são boas pessoas. A eleição foi muito estranha, e achei que foi terrível. Ela tem recebido avaliações ruins. Veja o que aconteceu com o mercado deles”, afirmou Trump.
As críticas dos democratas ocorrem a menos de uma semana das eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos, marcadas para 3 de novembro. O pleito definirá os representantes de toda a Câmara dos Deputados e de parte do Senado americano.
O Partido Democrata é o principal partido de oposição ao governo Trump, do Partido Republicano.
Fonte: G1 Globo
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