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TRABALHO ESCRAVO

Trabalhadores de Timon denunciam condições degradantes em colheita de maça em SC

Pelo menos 100 trabalhadores timonenses já foram resgatados de situação análoga ao trabalho escravo em Santa Catarina

Da Redação

Sábado - 28/02/2026 às 15:43



Foto: Reprodução Trabalhadores maranhenses denunciam condições precárias em colheita de maçãs em SC
Trabalhadores maranhenses denunciam condições precárias em colheita de maçãs em SC

Trabalhadores do município de Timon (MA) denunciaram nos últimos dias condições degradantes de trabalho na cidade de Monte Carlo, em Santa Catarina. O grupo foi ao local para trabalhar na colheita de maçãs, mas afirma ter enfrentado dificuldades relacionadas à alimentação, saúde e infraestrutura no local de trabalho.

De acordo com os relatos, ao chegarem ao local de trabalho, os trabalhadores foram encaminhados para alojamentos em condições inadequadas de higiene e estrutura. Eles também denunciaram o consumo de alimentos estragados, o que teria provocado casos de intoxicação alimentar

Segundo depoimentos, foi prometida uma média salarial de R$ 4 mil, com alimentação e moradia inclusas. No entanto, após passarem mal e manifestarem interesse em retornar ao Maranhão, alguns afirmaram que só poderiam voltar caso assinassem um termo declarando que não desejavam mais trabalhar, com a devida baixa na carteira. Nessas condições, receberam apenas R$ 300 para custear o transporte de volta.

Vídeos gravados pelos próprios trabalhadores mostram reservatórios improvisados sendo utilizados para consumo de água. Em uma das imagens, um homem aparece com fortes cólicas, aguardando atendimento médico dentro do alojamento. Segundo os relatos, o suporte de saúde era insuficiente e havia demora no encaminhamento para atendimento hospitalar.  

Um dos trabalhadores, identificado como Tarson, já retornou a Timon após passar dias difíceis em Santa Catarina. Ele relatou que, durante o período em que esteve na colheita, teria sido informado por um representante da empresa de que só seria levado ao hospital caso estivesse “quase morto”. A declaração reforça as denúncias de negligência e descaso com a situação dos empregados.

Retorno ao Maranhão

Um grupo de trabalhadores já retornou a Timon (MA) e pelo menos 16 formalizaram as denúncias. Na manhã dessa sexta-feira (27), a Prefeitura de Timon, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (SEMS), da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social (Semdes) e da Secretaria Municipal de Direitos Humanos (SEMDH), realizou atendimento aos que regressaram.

A gestão municipal informou que está à disposição para prestar assistência àqueles que chegaram anteriormente por meios próprios. O ponto de apoio foi instalado no Ginásio Francisco Carlos Jansen, localizado no bairro Parque Piauí, na Avenida Teresina, onde equipes realizam acolhimento social e atendimento em saúde

O Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) oferece escuta qualificada, avaliação psicossocial, encaminhamentos para serviços de saúde e assistência, apoio na regularização de documentos e orientação para garantia de direitos trabalhistas e previdenciários.

Na área da saúde, as equipes realizam triagem, avaliação clínica e atendimento médico e psicológico, com encaminhamentos quando necessário e orientação para acompanhamento contínuo na Atenção Primária.

A Prefeitura de Timon informou ainda que, por meio da Procuradoria Geral do Município, irá representar junto aos órgãos competentes para abertura de inquérito, com o objetivo de apurar os fatos e buscar a responsabilização criminal dos envolvidos. O caso segue sob acompanhamento das autoridades responsáveis.

Comissão ouvirá denúncias

A Secretaria Municipal de Direitos Humanos de Timon informou que irá receber o grupo na próxima segunda-feira (2) para ouvir individualmente cada um deles. Os depoimentos e documentos apresentados poderão fundamentar medidas administrativas e judiciais, caso as irregularidades sejam confirmadas.

O caso também está sendo acompanhado pela Comissão Estadual de Erradicação do Trabalho Escravo, que deve avaliar se houve violação de direitos trabalhistas ou indícios de trabalho análogo à escravidão.

Segundo as denúncias, a empresa citada é uma das principais exportadoras de maçã do país. Até o momento, não houve manifestação pública da empresa sobre as acusações. As autoridades devem apurar as responsabilidades e adotar as providências cabíveis diante da gravidade dos relatos.

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