Geral

ZONA RURAL

Resgatados 20 trabalhadores em condições análogas à escravidão em Francinópolis

Durante a fiscalização, foram constatadas diversas violações trabalhistas, entre elas, a inexistência de banheiros

Gilson Rocha

30 de abril de 2026 às 12:16 ▪ Atualizado há 1 hora

Ver resumo
  • O Ministério do Trabalho e Emprego resgatou 20 trabalhadores em condições análogas à escravidão em Francinópolis.
  • Os trabalhadores estavam envolvidos em extração mineral e em obras públicas de calçamento.
  • A fiscalização identificou várias violações trabalhistas, incluindo falta de banheiros e ausência de água potável.
  • Pagamentos eram feitos informalmente, sem garantia de salário mínimo.
  • Trabalhadores foram expostos a riscos, como jornadas de 11 horas e uso de explosivos sem supervisão.
  • Alojamentos eram precários, com instalações elétricas inseguras.
  • Responsáveis foram notificados para regularizar a situação, com indenizações estimadas em R$ 280 mil.
  • Resgatados têm direito ao seguro-desemprego especial e assistência social.

Trabalho degradante em obra pública leva ao resgate de 20 trabalhadores no PI
Trabalho degradante em obra pública leva ao resgate de 20 trabalhadores no PI

Uma operação realizada pelo Ministério do Trabalho e Emprego identificou e resgatou 20 trabalhadores submetidos a condições análogas à escravidão na zona rural de Francinópolis, no Centro-Norte do estado. A ação ocorreu entre os dias 20 e 28 de abril.

De acordo com a Secretaria de Inspeção do Trabalho, responsável pela coordenação da fiscalização, os trabalhadores estavam envolvidos em atividades de extração mineral em pedreiras e também em uma obra pública de calçamento com paralelepípedo. O serviço era executado por meio de contrato administrativo vinculado ao Governo do Estado.

A SIT apontou ainda a possibilidade de responsabilização do Estado por falhas no acompanhamento da execução contratual. As obras estavam sob responsabilidade de empresa contratada pela Secretaria de Estado das Cidades do Piauí, que informou já ter sido comunicada e adotado providências junto à empresa envolvida.

Irregularidades encontradas

Durante a fiscalização, foram constatadas diversas violações trabalhistas. Entre elas, a inexistência de banheiros, a falta de locais apropriados para refeições e a ausência de fornecimento de água potável nas frentes de trabalho.

A investigação também revelou que os pagamentos eram feitos de maneira informal e por produção, sem garantia de remuneração mínima. "As necessidades fisiológicas eram realizadas no mato e a água era levada pelos próprios trabalhadores, sem fornecimento pelo empregador. [...] Os pagamentos eram realizados de forma informal, sem registro ou comprovação", diz trecho do relatório.

A auditora-fiscal Gislene Stacholski, que liderou a operação, informou que os responsáveis foram notificados a regularizar a situação. A estimativa é de que cerca de R$ 280 mil sejam pagos aos trabalhadores, entre verbas rescisórias e indenizações.

Rotina de trabalho e riscos

O relatório detalha que, nas pedreiras, os trabalhadores enfrentavam jornadas de aproximadamente 11 horas diárias, de segunda a sábado, sob forte calor e sem o uso adequado de equipamentos de proteção.

Outro ponto grave identificado foi o uso de explosivos artesanais, compostos por substâncias inflamáveis. Segundo os auditores, o manuseio ocorria sem treinamento técnico, sem supervisão qualificada e sem autorização legal.

Na obra de pavimentação, o serviço era realizado manualmente, exigindo esforço físico intenso, em posições desgastantes e sob altas temperaturas, sem pausas suficientes para descanso.

Alojamentos precários

As condições de moradia também chamaram atenção dos fiscais. Registros feitos pela equipe mostram trabalhadores dormindo em redes, em estruturas improvisadas e com pouca segurança.

Foram identificadas instalações elétricas irregulares, com fios expostos e tomadas posicionadas no chão. Em um dos locais, havia armazenamento de combustíveis junto aos pertences pessoais, elevando o risco de incêndios.

Os trabalhadores resgatados terão acesso ao seguro-desemprego especial e devem ser acompanhados por programas de assistência social.

Fonte: MTE