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CRIME AMBIENTAL

Kassio Nunes vota para anular multa de R$ 86 milhões contra a Vale por Brumadinho

Empresa foi multada pela CGU por omissão de informações sobre risco da barragem que causou a morte de 272 pessoas em 2019

Da Redação

Domingo - 08/02/2026 às 17:07



Foto: Nunes justificou que a aplicação da lei não foi correta, tese levantada também pela Vale
Nunes justificou que a aplicação da lei não foi correta, tese levantada também pela Vale

O ministro Kassio Nunes, do Supremo Tribunal Federal (STF), voltou por anular a multa de R$ 86 milhões aplicada à Vale pelo crime ambiental ocorrido em Brumadinho (MG) em 2019 e que deixou 272 pessoas mortas. 

A multa foi aplicada pela Controladoria-Geral da União (CGU) por omissão de informações sobre a estabilidade da barragem de Brumadinho. Segundo o órgão, a Vale dificultou a fiscalização da Agência Nacional de Mineração (ANM) ao inserir dados falsos ou incompletos no sistema de monitoramento. A CGU, então, enquadrou a empresa na Lei Anticorrupção. 

Vele foi multada por omissão de informações sobre a estabilidade da barragem de Brumadinho

No entanto, em seu voto, Kassio Nunes justificou que a aplicação da lei não foi correta, tese levantada pela Vale ao entrar com um processo no STF contra a decisão da CGU. Em 2025, a empresa acionou o Superior Tribunal de Justiça (STJ) para tentar anular a multa, mas não obteve sucesso. 

“A lei foi pensada como instrumento de integridade, capaz de prevenir a oferta de vantagens ilícitas, coibir arranjos fraudulentos em licitações, desencorajar a captura de agentes públicos e responsabilizar empresas que se beneficiam de condutas  corruptoras. Não se trata, portanto, de um código sancionador geral para relações entre o setor privado e o Estado, mas de um diploma especializado”, afirmou o ministro em seu voto. 

“A ampliação indevida do seu alcance também violaria a legalidade estrita, princípio indispensável em qualquer atuação sancionadora do Estado. Transformar o art. 5º em uma cláusula de punição genérica permitiria enquadrar como ‘ato lesivo’  condutas que nada têm de corruptivas”, completou. 

 Julgamento da ação da Vale acontece em plenário virtual até o dia 13 de fevereiro

O ministro ainda finalizou afirmando que a aplicação da Lei Anticorrupção “configura abuso de poder e violação ao princípio da legalidade, ao ampliar o alcance de norma sancionadora em prejuízo do administrado, sem respaldo mínimo no texto legal”.

O julgamento da ação da Vale acontece em plenário virtual até o dia 13 de fevereiro. Além de Kássio, votam os ministros Dias Toffoli, Gilmar Mendes, André Mendonça e Luiz Fux. 

Fonte: FORUM

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