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Investigação do MP-PI aponta que presos da Cadeia de Altos foram envenenados

O promotor de Justiça ainda recomendou a exoneração do secretário de Justiça do Piauí


Apenado da CPA recebe tratamento médico

Apenado da CPA recebe tratamento médico Foto: Divulgação/Sejus

O Ministério Público do Estado do Piauí (MPPI) concluiu a investigação sobre o caso de adoecimento e morte de detentos da Cadeia Pública de Altos (CPA). A investigação do MPPI apontou que 200 presos foram vítimas de envenenamento e não de contaminação por água como havia detectado a Secretaria Estadual da Justiça (Sejus).  A conclusão foi feita após uma avaliação dos prontuários médicos dos presos da CPA e dos hospitais públicos onde os detentos estiveram internados em Teresina. Foram analisados os exames laboratoriais e de imagem.

O promotor de Justiça Elói Júnior, titular da 48ª Promotoria de Justiça de Teresina, assinou o despacho que faz parte do Inquérito Civil nesse domingo (14). O promotor afirma que no início de maio, pouco antes dos primeiros presos adoeceram, uma empresa havia realizado serviços de dedetização, desratização, descupinização e capina no presídio. Na dedetização foi utilizado o inseticida piretróide Cipermetrina 250 Ce, substância compatível com os achados médicos nos exames realizados nos presos.

O promotor de Justiça disse que o secretário estadual de Justiça não prestou as informações solicitadas pelo Ministério Público e demais órgãos que acompanham as investigações sobre as causas do adoecimento e mortes dos detentos da CPA. 

Elói Júnior determinou o envio dos documentos e das informações obtidas a órgãos, como a Vara de Execuções Penais de Teresina, à Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde; ao Departamento Penitenciário Nacional (DEPEN), entre outros. O promotor ainda recomendou que governador Wellington Dias exonere o secretário estadual de Justiça.

O inquérito civil instaurado deve prosseguir para que sejam apuradas outras questões relacionadas ao tratamento dos presos como, por exemplo, avaliar se o atendimento médico que cada um recebeu foi satisfatório ou não.

Sejus se posiciona

A Sejus emitiu uma nota de esclarecimento e disse que a dedetização foi realizada na área externa da CPA no dia 15 de maio, um dia depois da primeira morte de preso. A Sejus disse ainda que aguarda o resultado das analises que solicitou à Sesapi para determinar a causa do agravo de saúde dos detentos.

Acerca das declarações públicas do Promotor de Justiça Dr° Elói Júnior, afirmando que a causa dos problemas de saúde que acometeram um grupo de internos da Cadeia Pública de Altos teria sido intoxicação, tendo em vista uma dedetização ocorrida na Unidade, supostamente no inicio do mês de maio de 2020, a Secretaria de Estado da Justiça esclarece que solicitou a realização de exames técnicos à SESAPI e aguarda a conclusão da análise para determinar a causa do agravo à saúde dos referidos internos. 

Importante esclarecer que a dedetização fora realizada em 15.05.2020, nas áreas externas da Cadeia, data esta posterior à da ocorrência do primeiro óbito registrado.
 
A SEJUS reitera, ainda, que aguarda o resultado dos exames técnicos para se posicionar definitivamente sobre os fatos.

Fonte: MPPI

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