A Ferrovia Transnordestina entra em uma nova etapa do seu processo de implantação ao planejar viagens de teste com diferentes tipos de carga, ampliando a avaliação operacional da linha férrea. Após os primeiros ensaios bem-sucedidos no trecho entre o Piauí e o Ceará, a concessionária responsável pela operação, a Transnordestina Logística (TLSA), estuda o transporte de soja e de graneis sólidos minerais, como gipsita, calcário e gesso agrícola, já para as próximas semanas.
A estratégia da empresa é diversificar as mercadorias transportadas com o objetivo de testar, de forma mais abrangente, o desempenho da ferrovia em diferentes cenários logísticos. Segundo o diretor Comercial e de Terminais da TLSA, Alex Trevizan, a variedade de cargas é fundamental para validar a eficiência da operação.
Pretendemos fazer um transporte com soja. Mas, fugindo um pouco do granel sólido agrícola, há a possibilidade, ainda neste mês, de realizar um transporte de gipsita. Talvez no mês que vem, de calcário e gesso agrícola, para diversificar um pouco mais o granel sólido mineral”, afirmou o gestor.
Transnordestina (Foto: Yasmin Fonseca/MIDR)
As datas das próximas viagens ainda estão em definição, assim como o número total de operações previstas nesta fase experimental. De acordo com a concessionária, esse período de testes é considerado essencial para avaliar toda a cadeia logística, incluindo etapas de carregamento, deslocamento e descarregamento das cargas.
No dia 11 de janeiro, a Transnordestina realizou o segundo teste operacional da ferrovia, com o transporte de 946 toneladas de sorgo do Terminal Intermodal do Piauí (TIPI) até o Terminal Logístico de Iguatu (TLI), no Ceará. A viagem, que durou cerca de 16 horas, serviu para analisar o desempenho da infraestrutura ferroviária e dos sistemas utilizados na operação.
Paralelamente às viagens de teste, a Transnordestina segue recebendo investimentos públicos e privados destinados à conclusão das obras e à ampliação da sua capacidade operacional. Considerada estratégica para o escoamento da produção agrícola e mineral do Nordeste, a ferrovia tem papel fundamental na conexão de regiões produtoras do interior com importantes corredores logísticos e portos da região.

Com aproximadamente 1.200 quilômetros de extensão, a Ferrovia Transnordestina é um dos principais projetos estruturantes do Nordeste brasileiro. O empreendimento busca reduzir custos de transporte, aumentar a competitividade logística e impulsionar o desenvolvimento econômico regional, além de contribuir para a geração de emprego e renda.
Para fortalecer a integração logística, a TLSA também planeja a implantação de seis a oito terminais ao longo da ferrovia. Entre os pontos estratégicos previstos estão Eliseu Martins e Bela Vista do Piauí, no Piauí; Trindade e Salgueiro, em Pernambuco; além de Missão Velha, Maranguape e o Porto do Pecém, no Ceará. A malha contará ainda com terminais de parceiros privados, como os localizados em Quixeramobim e Iguatu, no Ceará.
Os investimentos do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE) na Transnordestina já ultrapassam R$ 5,3 bilhões, com novas liberações de recursos previstas. Desde 2023, o financiamento do projeto vem sendo estruturado pela Secretaria Nacional de Fundos e Instrumentos Financeiros (SNFI), vinculada ao Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR).

Fonte: Secom
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