As paisagens paradisíacas formadas pelo encontro de dunas brancas com águas escuras e doces escondem uma realidade preocupante no litoral do Piauí. Conhecidas por sua beleza cênica ímpar e por movimentarem o turismo regional, as lagoas do Portinho, Sobradinho e Camurupim estão pedindo socorro. A irregularidade das chuvas e as mudanças climáticas e a degradação ambientais têm feito com que essas joias naturais diminuam drasticamente seu volume de água, algumas chegando a níveis críticos nunca antes registrados.
De acordo com levantamento local, embora as precipitações recentes tenham trazido um leve alívio, o nível das águas está muito aquém do registrado há uma década. Em anos anteriores, as lagoas do Portinho, Sobradinho e Camurupim chegaram a ficar praticamente secas, um cenário que assustou moradores e turistas.
Realidades distintas
A Lagoa do Portinho, localizada na divisa entre Parnaíba e Luís Correia, é a mais famosa e uma das mais belas do estado. Cercada por dunas móveis e coqueirais, sua origem é cercada por uma lenda de amor indígena. Após receber atenção de órgãos municipais, estaduais e ações de conscientização, a lagoa apresentou melhora. Dados da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semar) apontam que a área abrange aproximadamente 5,62 km², se estendendo por nove quilômetros . Em 2019, a região foi transformada em Área de Relevante Interesse Ecológico (Arie) para garantir desenvolvimento sustentável. Apesar disso, o espelho d’água atual ainda é frágil.
Por outro, a situação é crítica para a Lagoa do Sobradinho e a Lagoa do Camurupim. Enquanto a Sobradinho é conhecida por ser a de maior extensão em água doce do litoral e por suas dunas douradas , a Lagoa do Camurupim enfrenta o pior cenário. Localizada no povoado Macapá, em Luís Correia, esta lagoa ainda é relativamente desconhecida do grande público. Apesar de ter a área ao redor ainda preservada — com aproximadamente três quilômetros de extensão —, sofre com ações humanas que reduziram a mata ciliar. Atualmente, o volume de água na Camurupim é tão pequeno que é possível atravessá-la a pé, algo impensável para quem conhece sua história.
Um futuro incerto
A situação acende um alerta vermelho para as autoridades ambientais. A dependência do regime de chuvas, somada ao barramento de riachos que alimentam as lagoas (como os rios Portinho e Marruás) e ao avanço das dunas, coloca em risco o ecossistema local . A pesca artesanal e o turismo, fontes de renda para centenas de famílias nos povoados de Carpina, Gameleira e Macapá, estão ameaçados.
Especialistas reforçam que a criação de planos de manejo, como o prometido para a Arie da Lagoa do Portinho, é urgente para salvar esses patrimônios naturais. Sem políticas de preservação e monitoramento hídrico, as belezas do litoral piauiense correm o risco de se transformarem em paisagens secas, registradas apenas na memória dos que um dia viram essas lagoas brilharem sob o sol do Nordeste.
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