A previsão do tempo para os próximos dias no Piauí indica uma redução temporária das chuvas, mas com retorno dos volumes mais significativos a partir da próxima quarta-feira (4). Segundo a climatologista Sara Cardoso, ainda pode haver chuviscos em algumas regiões do estado, porém sem a mesma intensidade registrada nos últimos dias.
“Hoje ainda deve chuviscar aqui no nosso território, mas vai dar uma diminuída nessa quantidade de chuva nesses próximos dias. Quando eu falo diminuir, não é que a chuva vai acabar totalmente, a gente ainda vai ver alguns chuviscos, mas chuva volumosa, como a dos últimos dias, só a partir de quarta-feira novamente”, explicou.
De acordo com o modelo meteorológico COSMO, que analisa as condições atmosféricas para as próximas 24 horas, os maiores acumulados de chuva devem se concentrar na região Centro-Sul do Piauí, principalmente do centro para baixo do mapa estadual.
“O Sudeste deve registrar os maiores volumes, justamente uma área que vem sendo bastante castigada pela seca”, destacou a climatologista.
Sara Cardoso reforça a importância de a população acompanhar os boletins oficiais do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). “Os boletins especiais são atualizados diariamente, por volta das 10h da manhã. É fundamental ficar atento, já que os órgãos locais apenas reproduzem essas informações”, alertou.
Sobre as chuvas registradas nos últimos dias, a climatologista explicou que elas foram provocadas, principalmente, pela atuação da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT). No início da semana, outro sistema também contribuiu para a instabilidade: um vórtice ciclônico de altos níveis, com centro localizado no Oceano Atlântico.
“Esse vórtice ajudou a empurrar umidade para todo o território, o que promoveu chuva praticamente em todo o estado, incluindo municípios do Sudeste, Sudoeste, Norte e Centro-Norte. Ele já se dissipou, e o que permaneceu foi a ZCIT”, explicou.
Segundo Sara Cardoso, as chuvas associadas à ZCIT têm características típicas do verão, ocorrendo principalmente durante a tarde e a noite. “Esses primeiros momentos das chuvas geralmente vêm acompanhados de ventos, relâmpagos, raios e trovões, porque são formadas por nuvens do tipo cúmulos-nimbos, que possuem um topo muito elevado”, afirmou.
Ela detalha ainda que, quando essas nuvens alcançam camadas mais altas da troposfera, a umidade se transforma em gelo, provocando intensa movimentação interna.
“Esse movimento gera energia, que é liberada em forma de raios, relâmpagos e trovões. Por isso, também existe a possibilidade de queda de granizo nesses primeiros momentos de chuva”, concluiu.