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RECUO DA ESTIAGEM

Chuvas amenizam seca no Piauí e estado deixa de registrar nível extremo

Fevereiro trouxe precipitações mais regulares e, em alguns pontos, acumulados que chegaram a 100 milímetros em um único dia

Da Redação

Domingo - 22/03/2026 às 15:30



Foto: Apesar da melhora, Piauí teve 100% do território com algum tipo de seca em fevereiro
Apesar da melhora, Piauí teve 100% do território com algum tipo de seca em fevereiro

Com a chegada das chuvas mais intensas e bem distribuídas em fevereiro, o Piauí registrou uma melhora significativa no quadro de seca que afetava todo o território desde o início do ano. Dados da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e da Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Piauí (Semarh) mostram que, pela primeira vez em meses, o estado deixou de apresentar seca extrema, classificação mais grave do fenômeno, e registrou recuo da estiagem em diversas regiões.

Em janeiro, o Piauí enfrentava uma situação crítica. Segundo boletim da Semarh divulgado em fevereiro, todos os 224 municípios do estado registravam algum nível de estiagem, sendo 49 deles em condição de seca extrema, caracterizada por grandes perdas agrícolas, comprometimento das pastagens e escassez generalizada de água. Cidades como São Raimundo Nonato, Paulistana, Betânia do Piauí, Simões e Itainópolis estavam entre as mais afetadas, concentradas principalmente na região sudeste do estado. Mesmo Teresina, Parnaíba, Picos e Floriano apareciam no monitoramento com algum grau de estiagem.

A virada no cenário começou a acontecer ainda na primeira quinzena de fevereiro. A meteorologista Sônia Feitosa, da Semarh, explicou que o mês foi marcado por uma mudança no padrão atmosférico, com a atuação mais intensa da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), sistema que favorece o transporte de umidade para as regiões Norte e Nordeste do país. Diferente de janeiro, quando as chuvas foram fracas e mal distribuídas, fevereiro trouxe precipitações mais regulares e, em alguns pontos, acumulados que chegaram a 100 milímetros em um único dia.

Os reflexos dessa mudança aparecem no Monitor de Secas da ANA, atualizado em março. O Piauí foi um dos 17 estados brasileiros que apresentaram abrandamento do fenômeno entre janeiro e fevereiro, com destaque para o fim do registro de seca extrema em território piauiense. Apesar da melhora, o estado ainda figura entre as sete unidades da federação que tiveram 100% do território com algum tipo de seca em fevereiro, ao lado de Alagoas, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte. A diferença é que, agora, a classificação predominante é de seca moderada a grave, e não mais extrema.

Piauí aguarda chuvas para recuperação dos reservatórios e para recomposição das pastagens e da produção agrícola

A avaliação dos órgãos ambientais é que as chuvas continuam sendo fundamentais para a recuperação dos reservatórios e para a recomposição das pastagens e da produção agrícola. Ainda assim, os efeitos acumulados da estiagem prolongada não desaparecem rapidamente. Conforme apontou a Semarh, mesmo com o avanço das precipitações, os impactos da falta de água nos meses anteriores ainda são sentidos no campo e nas áreas urbanas. O desafio agora, segundo os técnicos, é administrar o excesso de água em algumas regiões após um longo período de escassez, realidade típica de um estado onde o regime de chuvas é decisivo para a agricultura, os reservatórios e a vida cotidiana.

O Monitor de Secas, criado em 2014 e baseado em metodologia utilizada nos Estados Unidos e no México, segue acompanhando mensalmente a evolução do quadro no país. No Piauí, a expectativa é que, se o padrão de chuvas se mantiver nos próximos meses, novas melhoras possam ser registradas, consolidando a recuperação das áreas que ainda convivem com os efeitos da estiagem.

Fonte: Agência Brasil

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