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DIA DAS MÃES

Bournout materno: as mães estão exaustas e a culpa não é dos filhos

A sobrecarga de cuidados com os filhos, trabalho e cuidados com a casa e família vem provocando a exaustão materna

Da Redação

Domingo - 12/05/2024 às 07:54



Foto: Dia das Mães
Dia das Mães

Olhe ao seu redor e perceberá que existe uma mãe exausta por perto. Elas não costumam reclamar, mas dão sinais claros. Uma pesquisa feita pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP- USP), em parceria com a Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, apontou que 63% das mães entrevistadas demonstravam sintomas depressivos devido à sobrecarga de funções.

A dedicação aos filhos não é vilã nessa história. O problema é todo o restante, especialmente a falta de apoio com as tarefas de casa e a sobrecarga de trabalho. Para se ter uma ideia, um estudo com norte-americanas apontou que as mães trabalham em média 98 horas por semana, mais que o dobro que o expediente de um emprego formal.

Essa sobrecarga tem intensificado o aparecimento do que se convencionou chamar de bournout materno. Apesar de ser reconhecido pela maioria dos psicólogos e psiquiatras, o burnout materno não é considerado uma doença mental, mas sim um conjunto de sintomas que causam exaustão física e mental.

Nada é mais adequado para classificar a situação de mães mundo afora na atualidade. Esse termo ganhou popularidade e está associado ao burnout, síndrome provocada pelo estresse crônico no trabalho. Atualmente, ela é considerada uma doença ocupacional. "A sobrecarga de tarefas de cuidado exercidas pela mãe, que são invisibilizadas e sem pausa, podem custar a sua saúde, que entra em colapso. Geralmente acontece com mulheres que se exigem ou são pressionadas a dar conta de tudo, mas não tem com quem dividir essas tarefas", avalia a psicóloga perinatal Juliana Tfauni em entrevista ao site Terra.

Alguns dos sintomas mais característicos são irritabilidade e a perda de prazer no cuidado dos filhos. E aí é comum se manifestar também depressão e a ansiedade generalizada. Nessa situação de exaustão, o corpo entra no modo sobrevivência, o que significa prejuízo no desenvolvimento da criança e na relação entre mãe e filho, justamente porque é desenvolvido um distanciamento emocional não consciente por conta da perda de prazer dos cuidados maternos.

O bournout materno é comum em mães atípicas - mães de crianças com algum tipo de deficiência ou transtorno. O grau de dedicação exigido é bem superior. É o caso da jornalista Alinny Maria, mãe da Lis, de três anos.

"Sempre sonhei em ser mãe, mas jamais imaginaria que a minha maternidade seria totalmente tudo aquilo que eu pensava. Quando recebi o diagnóstico de autismo da minha filha ela tinha 2 anos e 4 meses. Senti o mundo desabar sobre mim, eu nem sabia bem o que era esse transtorno. Nunca tive rede de apoio e logo iniciou-se uma rotina extremamente cansativa, que se resumia em levar a minha filha para terapia quase todos os dias. Isso foi me deixando esgotada fisicamente, até que me adaptei e logo vi ela evoluir, percebendo que todo o esforço vale a pena e assim consigo forças para não desistir. Atualmente ela faz 10 tipos de terapia e tento me dedicar ao máximo ao tratamento dela", conta Alinny.

A rotina, ter que conciliar todas as tarefas e lidar com autocobrança para dar conta de tudo são opressores para a maioria. "Muitas mães como eu ficam com o emocional abalado, sofrem crises de ansiedade, se sentem sozinhas e tendem a se isolar por diversos motivos. A mãe atípica vive correndo contra o tempo, esquece de cuidar dela, se sente cansada, estressada e sobrecarregada. Além de tudo isso a gente ainda tem muitas despesas extra. Sem falar que várias de nós deixa de trabalhar porque se torna impossível atender às demandas do filho e dividir o tempo com o trabalho", relata.

É inevitável fugir dessa sensação de cansaço e culpa que aparece de vez em quando. Mas existem algumas formas de tornar a rotina mais leve e prazerosa. São pequenas (mas grandes) atitudes que podem ser tomadas para que o lado bom da maternidade possa sempre superar qualquer desafio.

1. Peça e, principalmente, aceite ajuda. Você não precisa e nem consegue dar conta de tudo sozinha. Se tiver companheiro ou companheira, outros familiares ou amigos de confiança, divida as tarefas da casa e os cuidados dos filhos.

2. Mantenha relacionamentos fora do seu grupo de maternidade. Tenha amigos para sair de vez em quando, tomar um café, ir a um bar e jogar conversa fora sobre assuntos que não sejam apenas fraldas, filhos e dificuldades.

3. Mesmo no caos do cotidiano, reserve um tempo só para você! Mesmo que seja pouco tempo para tomar um bom banho, ler um livro, se exercitar ou apenas ficar sozinha e em silêncio. Aproveite o momento em que a criança dorme, por exemplo, ou a presença de outras pessoas que podem dar uma olhadinha no pequeno.

A exaustão é uma etapa a ser vencida. É mais um desafio. É necessário autoconhecimento e aceitação, autocuidado e uma meta: criar os filhos da melhor forma possível. "O amor de uma mãe atípica tem uma força tão grande que me faz levantar todos os dias mesmo com toda exaustão porque a minha filha foi o maior presente que a vida me deu", diz Nathalia Alcobaca, mãe da Maria Clara.

Caso você conheça uma mãe exausta, não julgue, não a chame de guerreira ou super-heroina. Ela não é. Ela é uma mulher como todas as outras, mas com um mundo inteiro sob sua responsabilidade. Ofereça ajuda e colo. É só do que ela precisa.

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