
A Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) vai analisar, a partir das 14h desta terça-feira (2), um recurso apresentado pela defesa do atacante Bruno Henrique, do Flamengo, em que o jogador tenta anular a investigação que o tornou réu por suspeita de manipulação de resultados no Campeonato Brasileiro de 2023. O caso, que envolve a Justiça comum e a Justiça esportiva, pode ter impacto direto na carreira do atleta e no futuro do clube.
Entenda o caso
Bruno Henrique foi denunciado em junho pelo Ministério Público do Distrito Federal junto ao irmão, Wander Nunes Pinto, e outras sete pessoas. A acusação aponta que o jogador teria informado a Wander que receberia um cartão amarelo em partida contra o Santos, disputada em Brasília, em novembro de 2023. O aviso teria permitido que parentes e amigos fizessem apostas de alto valor na advertência, levantando suspeitas das empresas de apostas esportivas e abrindo caminho para a investigação da Polícia Federal. A operação policial foi deflagrada em novembro do mesmo ano, com buscas e apreensões que resultaram no indiciamento dos envolvidos em abril de 2024.
O recurso em julgamento é um agravo regimental que leva novamente à apreciação do colegiado o habeas corpus negado em decisão monocrática pelo ministro Joel Ilan Paciornik. A defesa sustenta que a Justiça do Distrito Federal não teria competência para conduzir o processo, alegando que, por ter sido aberto a partir de investigação da Polícia Federal, o caso deveria tramitar na esfera da Justiça Federal. Se o STJ aceitar a tese, todos os atos processuais realizados até o momento podem ser anulados.
Apesar da denúncia, a Justiça do DF rejeitou parte das acusações, como a de estelionato, e também negou o pedido de fiança de R$ 2 milhões solicitado pelos promotores. Bruno Henrique, no entanto, passou a responder como réu por fraude em competição esportiva. Desde o início, o jogador nega qualquer envolvimento em manipulação, afirmando que o cartão foi resultado natural da partida.
Além do julgamento no STJ, o caso também terá desdobramentos no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), que marcou para quinta-feira, 4 de setembro, no Rio de Janeiro, a sessão que vai analisar as infrações disciplinares imputadas ao atacante. Nesse julgamento, o atleta pode ser punido com até 720 dias de suspensão, além de multa, conforme prevê o Código Brasileiro de Justiça Desportiva.
A análise simultânea nas duas instâncias aumenta a tensão em torno do futuro do camisa 27 do Flamengo. Se no STJ o risco é de continuidade ou anulação do processo criminal, no STJD a ameaça é imediata à sua permanência em campo pelo time rubro-negro nesta temporada.
Fonte: Agência Brasil