A vida não é fácil. Para realizar nossos sonhos, precisamos superar incontáveis obstáculos. É preciso ter força, superação, garra, nunca desistir e sempre acreditar. A inteligência e perspicácia para saber lidar com os problemas e como enfrentá-los e superá-los também é fundamental, assim como a humildade e a alegria.
O jovem atacante Bruno Henrique, de 25 anos, é um exemplo de tudo isso. Pouco tempo atrás, ele era recepcionista de escritório e se arriscava no repique. Em 2011, defendendo o Inconfidência Esporte Clube, foi o craque e artilheiro da Copa Itatiaia, um torneio amador disputado em Minas Gerais.
A vida, porém, reservava um futuro diferente para o garoto. A várzea e o emprego atrás de uma mesa não eram suficientes para o talento e os sonhos de Bruninho, que só viraria Bruno Henrique depois.
No entanto, antes de brilhar na surpreendente vitória do Wolfsburg sobre o Real Madrid, por 2 a 0, nas quartas de final da Uefa Champions League, na quarta-feira, e ter seu nome cantado pelos torcedores dos Lobos na Volkswagen Arena, o atacante brasileiro precisou superar vários obstáculos. Antes do luxo e glamour do melhor campeonato do mundo e de uma boa vida na Alemanha, o jovem precisou rodar por clubes menores do interior mineiro e goiano. E o próprio Bruno Henrique contou sua história à Goal Brasil, em entrevista exclusiva feita em junho do ano passado.
"Já passei por muitas coisas no futebol. Eu já passei fome, já morei em alojamento e foi muito complicado. Eu saí do amador para o profissional. Joguei a Copa Itatiaia (torneio amador em Minas Gerais) e fui o craque e o artilheiro do campeonato", lembrou.
Após a competição amadora, o garoto foi contratado pelo Cruzeiro, em 2011, mas nunca foi utilizado. Acabou emprestado ao Uberlândia, equipe do interior mineiro, por dois anos, até ser contratado em definitivo. Depois, foi tentar a sorte no Itumbiara. Ele se destacou no interior goiano, chamando atenção do Goiás.
Ao chegar no Esmeraldino, seu sonho era se destacar nacionalmente, como contou à Goal. "Meu objetivo esse ano (2015) é fazer um bom Campeonato Brasileiro e ajudar o Goiás, mas também sonho em ser revelação e artilheiro do campeonato. Não me preocupo muito com isso, mas se aparecer, é bom, né? (risos)".
O Esmeraldino foi rebaixado no Brasileirão 2015, mas Bruno Henrique alcançou seu objetivo. Fez um excelente torneio e entrou na mira de clubes brasileiros e europeus. Após quase fechar com o Fluminense, acabou se transferindo para o Wolfsburg. Todos os obstáculos superados valeram a pena.
Na entrevista à Goal, ele lembrou de todas as pedras superadas no caminho e agradeceu a família, além de também contar algumas histórias e falar da vida extracampo.
"Antes de virar jogador era complicado. Eu trabalhava em um escritório como recepcionista. Aí tinha que ficar lá, resolvendo pepino e atendendo todo mundo (risos). Fora de campo eu gosto muito de passear. Ir em shopping, passear bastante. Mas o shopping é o melhor (risos). Eu também gosto muito de ficar ouvindo música, curto mais gospel evangélica. Eu já cheguei até a tocar quando estudava (risos). Tinha um grupo de pagode quando tinha 12 anos. Era mais na zoeira, né, mas tínhamos professor e tudo certo para ajudar, só que era zoeira (risos). Eu tocava repique", revelou.
"Eu trabalho muito forte no dia a dia. Dou o meu máximo para realizar meus sonhos. Quero conquistar muitos títulos e superar as adversidades dentro de campo como supero fora. Minha família foi primordial para mim nessa caminhada. Eles me ajudam a ficar tranquilo, a família é a base de tudo. Meu grande sonho é poder ajudar minha família", concluiu.
Análise
Bruno Henrique foi a surpresa de Dieter Hecking contra o Real Madrid. O brasileiro vinha sendo reserva nos Lobos, mas fez sua estreia (isso mesmo) como titular, logo nas quartas de final da Champions League contra o maior campeão da história do torneio e favorito no confronto.
Fonte: agencias